
Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher os novos integrantes do Congresso e definir o equilíbrio de forças políticas nos dois últimos anos do mandato do presidente Donald Trump. As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, podem representar um revés para o governo republicano ou fortalecer a capacidade do presidente de avançar sua agenda.
Estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e 36 governos estaduais. Atualmente, o Partido Republicano controla as duas casas do Congresso, mas pesquisas e projeções eleitorais apontam vantagem dos democratas, especialmente na disputa pela Câmara.
Levantamentos divulgados às vésperas da votação indicam uma possível onda democrata. Uma análise da Axios apontou que o partido tinha 95% de probabilidade de conquistar a Câmara e 80% de assumir o controle do Senado, segundo o modelo de Nate Silver. Ainda assim, especialistas alertam que pesquisas podem apresentar erros, especialmente em disputas apertadas.
O primeiro cenário prevê uma vitória expressiva dos democratas, com a conquista de uma maioria confortável na Câmara e avanços suficientes para assumir também o Senado. Nesse caso, o presidente enfrentaria uma oposição fortalecida, com maior capacidade de bloquear projetos, convocar investigações e dificultar a aprovação de medidas do governo.
O resultado poderia abrir caminho para dois anos de confrontos entre a Casa Branca e o Congresso. Uma maioria democrata nas duas casas também aumentaria a pressão política sobre Trump e integrantes de sua administração.
Entre os sinais de uma noite favorável aos democratas estariam vitórias em distritos tradicionalmente republicanos e a conquista de cadeiras no Senado em Estados conservadores, como Texas, Carolina do Sul e Kansas.
O segundo cenário prevê uma vitória menos expressiva dos democratas. O partido poderia conquistar a maioria na Câmara, mas sem ampliar significativamente sua representação, enquanto os republicanos manteriam o controle do Senado.
Essa configuração obrigaria os democratas a administrar divergências internas para aprovar projetos e negociar com parlamentares republicanos em temas específicos. O resultado seria um Congresso dividido, com maior dificuldade para aprovar propostas e avançar em mudanças legislativas.
Nesse cenário, a mobilização dos eleitores republicanos no dia da votação seria decisiva para impedir uma derrota mais ampla. Disputas apertadas em Estados como Pensilvânia, Virgínia, Maine e Carolina do Norte poderiam definir o equilíbrio de forças.
O terceiro cenário representa uma vitória para Trump. Para isso, as pesquisas precisariam subestimar o apoio aos republicanos, que conseguiriam manter a maioria na Câmara e no Senado.
A manutenção do controle das duas casas permitiria ao presidente continuar avançando sua agenda com menor resistência parlamentar. Também reduziria o espaço para investigações conduzidas pela oposição e dificultaria iniciativas democratas para bloquear decisões do governo.
Uma noite favorável aos republicanos dependeria de forte comparecimento de seus eleitores e de resultados positivos em disputas decisivas, especialmente na Flórida, em Ohio, na Pensilvânia e na Virgínia.
O resultado das midterms será um importante teste político para Trump, em meio à insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida, os preços dos combustíveis, as tarifas comerciais e a guerra contra o Irã.
Caso os democratas conquistem uma ou as duas casas do Congresso, terão mais instrumentos para fiscalizar o governo e dificultar a aprovação de projetos presidenciais. Se os republicanos mantiverem a maioria, Trump ganhará respaldo parlamentar para conduzir sua agenda nos dois últimos anos do mandato.
As primeiras projeções devem surgir após o fechamento das urnas em cada Estado. Entretanto, disputas apertadas e a contagem de votos enviados pelo correio podem atrasar a definição do controle do Congresso.
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