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Lula terá menos poder para negociar apoio do Centrão no quarto mandato

Avanço das emendas parlamentares fortaleceu o Congresso e reduziu a capacidade do Planalto de trocar cargos e recursos por fidelidade nas votações.

03/11/2026 às 18h19
Por: Redação #Acesse Política
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Divulgação/Arquivo
Divulgação/Arquivo

O presidente Lula da Silva (PT) deverá enfrentar mais dificuldades para negociar o apoio do Centrão na formação da base governista durante seu quarto mandato. A avaliação é do colunista Robson Bonin, da revista Veja, que aponta o avanço das emendas parlamentares como um dos principais fatores de redução do poder de articulação do Palácio do Planalto.

Segundo Bonin, deputados e senadores conquistaram maior autonomia para direcionar recursos do Orçamento da União, o que diminuiu a dependência do Congresso em relação ao Executivo. Com isso, o governo perdeu parte da capacidade de usar a liberação de verbas e a distribuição de cargos como instrumentos para garantir apoio político.

No programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol nesta terça-feira (3), o colunista afirmou que ministros do atual governo chegaram a buscar recursos diretamente com parlamentares, em uma inversão da relação tradicional entre os Poderes. Antes, deputados e senadores procuravam o Executivo para negociar verbas destinadas às suas bases eleitorais.

A mudança torna mais complexa a montagem da nova base governista. Lula terá de conciliar os partidos que permaneceram ao seu lado durante a campanha com legendas do Centrão que contribuíram para sua reeleição, mas que não necessariamente estarão comprometidas com todas as propostas do governo.

Fidelidade partidária será desafio

Bonin também destacou que integrantes do PT defendem uma postura mais rigorosa de Lula em relação a partidos que ocupam ministérios, mas votam com a oposição no Congresso. A ideia seria evitar que legendas participem do governo sem demonstrar compromisso com sua agenda.

Na avaliação do colunista, porém, essa cobrança terá pouca eficácia diante da força conquistada pelos parlamentares na destinação de recursos públicos. A relação entre o Planalto e o Centrão poderá permanecer marcada pela desconfiança, com partidos alternando posições entre governo, oposição e independência conforme seus interesses.

Acordos dependerão de pautas comuns

Para Bonin, a estratégia de Lula deverá se concentrar na construção de uma agenda de interesses compartilhados. Em vez de depender exclusivamente da distribuição de cargos, o governo precisará apresentar propostas capazes de atrair apoio de diferentes bancadas.

O cenário indica que a participação de um partido na Esplanada dos Ministérios não será garantia de fidelidade nas votações. O presidente terá de negociar cada pauta com maior cuidado, em um Congresso que ampliou sua influência sobre o Orçamento e, consequentemente, seu poder nas articulações políticas.

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