
A postura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a derrota na eleição presidencial de 2026 enfrenta resistência entre a maioria dos brasileiros e também provoca divisões no campo da direita. Pesquisa inédita do instituto Quaest, intitulada “O Brasil depois das urnas”, mostra que 62% dos entrevistados consideram errada a saída do senador para os Estados Unidos, enquanto 29% aprovam a decisão.
O levantamento, divulgado pelo jornal O Globo, indica que o comportamento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também abriu divergências entre eleitores que se identificam com a direita, mas não se consideram bolsonaristas. Nesse grupo, 46% avaliam positivamente a viagem, enquanto 45% a reprovam, configurando empate técnico.
A pesquisa também investigou a interpretação dos brasileiros sobre os motivos da viagem. Para 56% dos entrevistados, Flávio deixou o país com o objetivo de escapar de investigações em andamento. Outros 35% acreditam que ele buscou se proteger de uma suposta perseguição política.
A divisão fica ainda mais evidente entre os eleitores da direita não bolsonarista. Nesse segmento, 51% consideram que o senador viajou para se proteger de perseguição política, enquanto 42% acreditam que a intenção foi fugir da Justiça.
Outro dado relevante mostra que 59% dos brasileiros rejeitam o discurso de contestação do resultado eleitoral adotado por Flávio após a derrota. Apenas 34% apoiam esse posicionamento, percentual semelhante ao registrado entre os entrevistados que também respaldavam o questionamento das eleições de 2022 por Jair Bolsonaro.
Mesmo entre os eleitores que votaram no senador no segundo turno, há sinais de resistência. Cerca de 21% desse grupo são contrários à recusa em reconhecer o resultado das urnas, enquanto 24% avaliam que Flávio se comportou mal depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A comparação com o desempenho político do pai também chama atenção. Na avaliação dos entrevistados, 41% consideravam que Jair Bolsonaro havia se comportado bem após a derrota eleitoral de 2022, enquanto 45% desaprovavam sua postura. No caso de Flávio, apenas 25% aprovam seu comportamento após o resultado, diante de 60% que o rejeitam.
O levantamento também identificou que 30% dos brasileiros acreditam que as eleições foram fraudadas, percentual próximo dos 29% registrados quatro anos antes. Entre os eleitores de Flávio, essa percepção chega a 64%, enquanto 28% consideram que a disputa ocorreu de maneira limpa e justa.
Para o diretor da Quaest, o cientista político Felipe Nunes, os números revelam uma divisão no campo conservador que pode abrir espaço para outras lideranças na oposição nacional.
Segundo ele, parte da direita não bolsonarista não concorda com o questionamento do resultado eleitoral nem com a interpretação de que o senador seria vítima de perseguição política. Essa divergência pode favorecer nomes que busquem representar um segmento mais moderado da oposição.
A pesquisa também mediu os sentimentos dos brasileiros em relação à vitória de Lula. Entre os lulistas, 40% afirmaram sentir alegria. Na esquerda não lulista, o sentimento predominante foi de alívio, citado por 34%.
Já entre os eleitores independentes, as opiniões ficaram mais dispersas. Na direita não bolsonarista, a decepção apareceu como principal sentimento, com 27% das respostas. Entre os bolsonaristas, a revolta foi mencionada por 26%.
Na avaliação de Felipe Nunes, o levantamento não aponta o desaparecimento do bolsonarismo, mas evidencia dificuldades do movimento para ampliar sua influência além de sua base mais fiel. O diretor destaca que aproximadamente um terço dos entrevistados continua alinhado às narrativas do grupo político.
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 eleitores entre 30 de outubro e 2 de novembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
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