
O presidente Lula da Silva (PT) estuda promover uma ampla reformulação no Gabinete Pessoal da Presidência da República para o quarto mandato. Entre as mudanças em discussão estão a transferência da administração de suas redes sociais da Secretaria de Comunicação Social (Secom) para uma estrutura diretamente ligada ao presidente e a criação de uma função específica para cuidar de sua agenda privada. A proposta também poderá ampliar a influência da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, na comunicação pessoal do petista.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a intenção é dar mais autonomia e agilidade à comunicação de Lula, permitindo a publicação de vídeos e conteúdos pessoais fora da rotina de divulgação das atividades oficiais do governo. Atualmente, os perfis presidenciais são administrados pela equipe da Secom, que prioriza compromissos institucionais.
A mudança ganhou força depois da campanha presidencial de 2026, quando Lula passou a utilizar vídeos no formato selfie para se aproximar dos eleitores. A estratégia foi adotada após o resultado desfavorável no primeiro turno e é apontada por aliados como um dos fatores que contribuíram para a virada eleitoral sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Janja foi uma das principais incentivadoras da utilização desse formato, ao lado do deputado André Janones (Rede-MG) e do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT-PI). Em um discurso durante a campanha, Lula chegou a pedir desculpas à primeira-dama e ao ministro Sidônio Palmeira por ter demorado a incorporar as gravações em selfie à sua rotina.
Além da comunicação, a reestruturação prevê mudanças na organização administrativa do gabinete. Uma das propostas é nomear um secretário particular para cuidar exclusivamente da agenda privada do presidente. Com isso, o chefe de gabinete ficaria responsável pela coordenação dos compromissos institucionais e pela articulação administrativa com os ministérios.
Entre os nomes mencionados por aliados para assumir funções na nova estrutura estão o ex-ministro da Secom Paulo Pimenta (PT-RS), o ex-prefeito de Osasco e deputado estadual Emídio de Souza (PT-SP) e o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares. Este último conta com a simpatia de Janja e já passou a auxiliar na organização da agenda presidencial.
A discussão sobre a profissionalização do Gabinete Pessoal também ganhou força após o afastamento de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete citado em investigação sobre suspeita de tráfico de influência. Ele afirmou que os pagamentos recebidos da lobista Roberta Luchsinger correspondiam a um empréstimo, que, segundo sua versão, já foi quitado.
Com o afastamento, Márcio Tavares passou a atuar mais diretamente na organização dos compromissos do presidente e também começou a ser considerado para assumir a chefia de gabinete no próximo mandato.
A administração das redes pessoais de Lula já passou por diferentes modelos. Durante a campanha eleitoral, os perfis foram temporariamente transferidos para o Partido dos Trabalhadores, com o objetivo de permitir uma comunicação mais direta e combativa no debate político, sem as limitações da comunicação institucional do governo.
A proposta agora é estabelecer uma estrutura permanente de comunicação pessoal, separada da divulgação oficial da Presidência. A eventual participação mais direta de Janja nesse processo poderá consolidar o espaço que a primeira-dama conquistou na estratégia digital e política do presidente.
Apesar das articulações, não há decisão oficial sobre as mudanças. Aliados afirmam que Lula tem evitado antecipar o desenho da equipe para o quarto mandato. Procurados sobre a possibilidade de reformulação do Gabinete Pessoal, assessores presidenciais disseram não ter informações sobre essas ou outras alterações na estrutura.
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