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Eleições municipais de 2024: prefeitos registram melhora de avaliação frente a 2020 — Foto: Andre Mello
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sexta-feira 5 de abril de 2024 às 06:33h

Da avaliação dos prefeitos ao anseio por mudanças, o cenário para a eleição 2024

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As eleições para prefeito de 2024 se aproximam, e com elas, a oportunidade de renovar a principal liderança dos municípios. Para entender o panorama político atual e as expectativas da população, uma pesquisa nacional recente do Ipec oferece insights valiosos. Este artigo menciona os principais resultados da pesquisa, explorando as tendências ideológicas, o contexto eleitoral e as preferências da população brasileira.

Melhora de avaliação, mas desejo por mudança

Em comparação com 2020, a pesquisa indica uma melhora na avaliação positiva (ótima + boa) dos prefeitos (de 32% para 38%). O saldo é positivo em 14 pontos percentuais, ou seja, a avaliação positiva é 14 pontos maior do que a avaliação negativa (ruim + péssima). Os prefeitos da região Sudeste, das capitais e dos municípios com mais de 500 mil habitantes apresentam índices menores de avaliação positiva: 35%, 31% e 32%, respectivamente.

Muito embora haja uma melhora na avaliação dos prefeitos em comparação com 2020, é alta a proporção dos que declaram que gostariam que o próximo prefeito mudasse totalmente a administração ou mantivesse só alguns programas, mas mudasse muita coisa. Essa opinião é compartilhada por 55% dos entrevistados.

O desejo por mudanças é maior entre os residentes da região Sudeste (59%), moradores das capitais dos estados (61%) e de munícipios com mais de 500 mil habitantes (59%). Essa demanda expressa que os munícipes estão buscando novas soluções para os desafios das cidades.

Maioria à direita e expectativa de polarização

O Ipec perguntou aos entrevistados onde eles se posicionam em uma escala de 0 a 10, sendo que zero significa mais à esquerda e 10 mais à direita. Os que responderam entre 7 e 10 foram classificados como mais à direita, entre 0 e 3 mais à esquerda, enquanto aqueles que responderam 4, 5 ou 6 foram considerados como de centro. A pesquisa revela que a maior parcela dos brasileiros se posiciona mais à direita no espectro ideológico (41%).

Em comparação com 2020, esse índice oscila positivamente dois pontos percentuais. Também se observa uma diminuição de 6 pontos percentuais (de 34% para 28%) na classificação dos que se posicionam como de centro. E os que se posicionam mais à esquerda permanecem no mesmo patamar, passam de 17% para 18%. Os 13% restantes não sabem ou não opinam.

A média obtida na escala foi igual a 6,1, sendo os moradores das regiões Norte/Centro oeste, Nordeste e Sul, assim como os que residem no interior e em municípios com até 500 mil habitantes, os que apresentam média igual ou superior a 6,1 na escala aplicada.

A possibilidade de polarização política nas próximas eleições para prefeito é percebida por 2/3 dos entrevistados. Essa ideia é mais acentuada entre os homens (70%) do que entre as mulheres (65%), entre as pessoas de 25 a 44 anos (71%), naqueles que têm nível superior de escolaridade (73%), entre os que têm renda familiar acima de 2 salários mínimos (76%), entre os que vivem no Sul do país (70%), nas capitais (74%) e nos grandes centros urbanos (73%). Caberá aos candidatos apresentarem propostas consistentes, priorizando o diálogo construtivo e o respeito às diferentes visões.

Outro ponto interessante é a preferência de quase metade dos entrevistados (47%) por um candidato que não esteja ligado nem a Lula e nem a Bolsonaro. Essa busca por alternativas demonstra uma pretensão pela renovação e por um novo modelo de liderança política.

Voto facultativo

Atualmente, 2/3 da população demonstra interesse em votar para prefeito em 2024, contudo a pesquisa também aponta que pouco mais da metade (51%) não iria votar se o voto não fosse obrigatório. Em 2020, esse índice era de 59%.

Embora haja uma melhora neste indicador, esse panorama evidencia a necessidade de fortalecer e valorizar a participação política da sociedade brasileira, sobretudo no processo de escolha de seus representantes. O eleitor tem que sentir que o seu voto vale a pena e que é realmente representado pelos políticos eleitos.

Debate como fator decisivo

O debate entre os candidatos se destaca como o evento que mais contribui para a decisão de voto (37%), seguido pelas visitas do candidato ao local de moradia (20%). Num contexto em que a expectativa é de polarização política, o eleitor se beneficiaria com um debate propositivo e informativo, que o permita conhecer as propostas e o perfil dos candidatos.

A pesquisa oferece um retrato vívido do cenário político para as eleições de 2024. A inclinação mais à direita, e a busca por alternativas demonstram a necessidade de um debate propositivo e de candidatos que apresentem soluções eficazes para os desafios dos municípios. O debate entre os candidatos se configura como um evento crucial para a decisão de voto, e a melhora na avaliação dos prefeitos indica uma percepção positiva da gestão municipal, mas ainda assim, o eleitor anseia por mudanças.

Por Márcia Cavallari Nunes – CEO do Ipec

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