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terça-feira 17 de outubro de 2023 às 19:12h

Aliados de Jair Bolsonaro admitem que insistir em CPI foi um ‘erro’

NOTÍCIAS, POLÍTICA


Aliados de Jair Bolsonaro avaliam reservadamente que foi um erro insistir na instalação da CPI de 8 de Janeiro. Para integrantes do PL, a bancada bolsonarista não conseguiu comprovar a inação do governo Lula no enfrentamento dos ataques golpistas – e ainda abriu espaço para a base governista ditar o ritmo dos trabalhos e voltar os holofotes da comissão para a gestão passada. As informações são de Rafael Moraes Moura e Malu Gaspar, do jornal O GLOBO.

Nesta terça-feira, a relatora da comissão, senadora Eliziane Gama (PSD-MG), pediu o indiciamento do ex-presidente da República ao apontá-lo como autor “seja intelectual, seja moral” dos ataques perpetrados contra as instituições, que culminou na invasão e a depredação da sede dos três poderes em Brasília.

De acordo com ela, Bolsonaro teria cometido quatro crimes: associação criminosa, violência política, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, todos previstos no Código Penal, nos artigos 288 e 359.

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Interlocutores do ex-presidente ouvidos pela coluna avaliam que o relatório de Eliziane – que deve ser votado pelos demais integrantes da CPI nesta quarta-feira (18) – é “mais opinativo” e “político” do que jurídico, mas mesmo assim pode provocar estragos.

“É tudo uma narrativa política. Indiciamento é a mesma coisa que relatório policial, significa que alguém que fez investigação acha que tem indícios, mas quem vai dizer se há ou não é o Ministério Público”, afirma um integrante do PL.

É aí, aliás, que mora uma nova preocupação entre os bolsonaristas. Com o fim do mandato de Augusto Aras, no mês passado, o ex-presidente da República perdeu um fiel escudeiro na Procuradoria-Geral da República (PGR) para barrar o aprofundamento das investigações.

Um dos temores dentro do PL é a de que um novo PGR, indicado por Lula, aproveite o material da CPI para aprofundar investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) nos inquéritos que vêm sendo conduzidos por Alexandre de Moraes, pavimentando o caminho de uma eventual denúncia.

Lula ainda está indeciso com a definição do sucessor de Aras, mas até aqui a PGR tem sido tocada interinamente pela subprocuradora Elizeta Ramos, que vem desalojando aliados do ex-procurador de postos estratégicos, como a vice-procuradoria-geral.

Como O GLOBO mostrou, Bolsonaro se reuniu, no ano passado, com a cúpula das Forças Armadas e ministros da ala militar de seu governo para discutir detalhes de uma minuta que abriria possibilidade para uma intervenção militar. Se tivesse sido colocado em prática, o plano de golpe impediria a troca de governo no Brasil.

Mas os aliados do ex-presidente também consideram que o governo Lula teve prejuízos com a instalação da CPI, já que a relatora pediu o indiciamento dos ex-comandantes da Marinha e do Exército – o almirante Almir Garnier e o general Marco Antônio Freire Gomes – num momento em que o Palácio do Planalto ainda tenta distensionar a relação com a caserna.

“O governo não ganhou nenhum centímetro com esse relatório, que só consegue acirrar mais ainda a situação com os militares”, diz um interlocutor de Bolsonaro. “O relatório criou um grande constrangimento pro meio militar, o que vai ser ruim pro próprio PT.”

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