
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques teria ampliado sua aproximação com parlamentares do PT nos últimos meses, em meio a articulações para indicar um aliado de seu gabinete ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A movimentação contou com a participação de integrantes do partido, que defenderam o nome apresentado pelo magistrado junto a representantes do governo.
A informação é da colunista Bela Megale, do jornal O Globo. Segundo a jornalista, a articulação envolvia o juiz auxiliar Henrique Gouveia da Cunha, que trabalhava no gabinete de Nunes Marques e era cotado para ocupar uma vaga no tribunal.
Apesar do apoio de setores do PT, o presidente Lula da Silva (PT) optou por outro nome: o juiz federal Fausto Mendanha Gonzaga, da Seção Judiciária de Goiás, que tem o ministro Flávio Dino como padrinho político.
A movimentação chamou atenção nos bastidores de Brasília, especialmente porque o magistrado foi indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A disputa pela vaga ganhou força durante a passagem de Nunes Marques pela presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lula teria demonstrado insatisfação com a condução do ministro durante a campanha presidencial, especialmente por considerar que houve tratamento desigual em favor de Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na eleição.
Antes do pleito, o presidente chegou a conversar com Nunes Marques sobre a escolha para o TRF-1. Na ocasião, segundo a coluna, Lula pediu que o magistrado não diferenciasse as candidaturas e deixou claro que sua atuação à frente da Justiça Eleitoral seria considerada na decisão sobre a vaga.
As articulações teriam continuado mesmo depois das eleições. Integrantes do governo receberam informações sobre um possível encontro, nesta semana, entre Nunes Marques e correligionários do PT para discutir o apoio a Henrique Gouveia da Cunha.
O ministro, porém, negou ter participado de qualquer reunião com essa finalidade e afirmou que não tratou do assunto.
A vaga no TRF-1 ficou aberta após a aposentadoria do desembargador federal Novély Vilanova. A lista tríplice encaminhada ao presidente foi formada por Fausto Mendanha Gonzaga, Henrique Gouveia da Cunha e Itagiba Catta Preta Neto.
Com a escolha de Fausto Mendanha, apoiado por Flávio Dino, Lula encerrou a disputa em favor do nome defendido pelo ministro maranhense. Segundo informações, a decisão presidencial já havia sido comunicada a interlocutores do Supremo e o ato de nomeação estaria em tramitação interna no Palácio do Planalto.
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