
A escolha do próximo presidente da Câmara dos Deputados abriu uma divisão interna no Partido Liberal. Após oficializar o senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à presidência do Senado, a legenda ainda não chegou a um consenso sobre apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) ou lançar um nome próprio para disputar o comando da Câmara em fevereiro de 2027.
O impasse foi discutido em reunião com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e lideranças da bancada. A definição, porém, ficou para o próximo dia 11, quando os deputados deverão voltar a se reunir para decidir a estratégia da legenda.
Uma ala do PL defende uma composição com Motta para evitar o isolamento político e garantir participação na escolha das presidências das comissões permanentes. O argumento é que, mesmo tendo a maior bancada individual da Câmara a partir de 2027, com 121 deputados, o partido poderá perder espaço caso fique fora do bloco majoritário liderado pelo atual presidente da Casa.
Motta já reúne o apoio de 15 partidos, entre eles o PT. Pelas regras de proporcionalidade, a formação dos blocos influencia diretamente a distribuição das comissões. Integrantes da ala favorável ao acordo avaliam que uma candidatura própria, sem chances concretas de vitória, poderia deixar o PL em posição desfavorável na estrutura legislativa.
Outra parcela da bancada, especialmente deputados mais alinhados à oposição, defende uma candidatura independente. Para esse grupo, apoiar Motta e integrar um bloco que também conta com o PT poderia gerar desgaste político junto ao eleitorado conservador.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) manifestou publicamente apoio à apresentação de um nome próprio e mencionou Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) como possíveis candidatos.
Os defensores dessa estratégia também questionam a importância das comissões na atual dinâmica da Câmara. Na avaliação desse grupo, o uso frequente de requerimentos de urgência permite que projetos sejam levados diretamente ao plenário, reduzindo a influência dos colegiados no processo legislativo.
A discussão também é marcada pela lembrança da disputa pelo comando do Senado em 2023. Na ocasião, Rogério Marinho enfrentou Rodrigo Pacheco e foi derrotado. Integrantes do PL avaliam que o partido acabou prejudicado pela falta de acordos, perdendo espaço na Mesa Diretora e nas comissões.
A ala pragmática usa esse episódio para defender uma negociação com Hugo Motta. Já os favoráveis à candidatura própria consideram que a posição política da legenda deve prevalecer sobre a ocupação de cargos.
O PT, que já declarou apoio à recondução de Motta, também resiste à entrada do PL no bloco majoritário. Parte dos parlamentares petistas defende que a legenda de oposição fique de fora da composição.
A reunião marcada para 11 de novembro deverá definir se o PL apoiará Motta ou apresentará um candidato próprio. Até lá, a disputa interna expõe o desafio do partido de conciliar sua estratégia de oposição ao governo Lula com a busca por espaço e influência na Câmara dos Deputados.
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