
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está à frente de processos com potencial de produzir efeitos importantes no cenário político brasileiro. Entre os temas sob sua relatoria estão as ações que questionam a Lei da Dosimetria, que pode reduzir penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, e uma discussão sobre os limites legais para acordos de colaboração premiada.
A condução desses processos coloca o magistrado no centro de debates que envolvem o Congresso Nacional, o governo e setores da oposição. As decisões podem afetar desde a situação penal de condenados, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), até os instrumentos utilizados em investigações de corrupção e crimes financeiros.
Moraes é relator das ações diretas de inconstitucionalidade que contestam a Lei 15.402/2026, conhecida como Lei da Dosimetria. A legislação foi promulgada em maio, após o Congresso derrubar o veto presidencial, e estabelece mudanças nos critérios de aplicação e execução de penas relacionadas aos crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Em 9 de maio, o ministro suspendeu a aplicação da norma nas execuções penais relacionadas aos atos antidemocráticos até que o Plenário do Supremo analise sua constitucionalidade. A decisão mantém as condenações e impede, por enquanto, que os benefícios previstos na lei sejam aplicados nesses processos.
O julgamento é acompanhado por aliados e adversários do ex-presidente, já que o resultado poderá repercutir diretamente no tempo de cumprimento das penas dos condenados. A discussão também ocorre em meio às tensões entre o Supremo e setores do Congresso que defendem mudanças na situação jurídica dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Outro processo relevante sob a relatoria de Moraes trata das regras para acordos de colaboração premiada. A ação foi apresentada pelo PT em 2021 e busca estabelecer parâmetros para a utilização desse instrumento nas investigações criminais.
Em abril de 2026, o ministro liberou o processo para julgamento no Plenário físico do STF. Entre os pontos em discussão estão as condições para celebração de acordos, a validade de delações feitas por investigados presos e os limites para o compartilhamento de informações sobre terceiros. A data da análise depende de inclusão na pauta pela presidência da Corte.
O tema ganhou ainda mais repercussão diante das negociações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, investigado por suspeitas de fraudes financeiras. Eventuais mudanças nas regras de colaboração podem ter reflexos sobre acordos em andamento e sobre o uso de informações fornecidas por investigados.
A atuação de Moraes também passou a ser observada em meio às revelações sobre sua relação com Vorcaro. Relatórios da Polícia Federal divulgados em setembro apontaram mensagens, encontros e tratativas envolvendo o ministro e o banqueiro. Documentos também indicaram a existência de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
As informações provocaram questionamentos sobre a relação entre os envolvidos e ampliaram a pressão sobre o Supremo. Moraes não reconheceu irregularidades em sua atuação, enquanto as revelações passaram a integrar o debate sobre a necessidade de apuração dos fatos.
Outro ponto que exige atualização em relação ao cenário descrito inicialmente é o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Bolsonaro. Em outubro, o ministro Kassio Nunes Marques determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifestasse sobre um dos pedidos, que questiona aspectos da condução do processo e da condenação do ex-presidente.
A revisão criminal é um instrumento jurídico excepcional, utilizado para tentar desconstituir uma condenação definitiva diante de hipóteses previstas em lei. Portanto, embora Moraes tenha sido o relator da ação penal que condenou Bolsonaro, o pedido de revisão mencionado está sob a condução de Nunes Marques.
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