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sábado 5 de setembro de 2020 às 06:42h

Deltan diz que Aras tem ‘postura equivocada’ em relação à Lava Jato

JUSTIÇA, NOTÍCIAS


Depois de seis anos à frente da Lava Jato em Curitiba, base e origem da maior operação de combate à corrupção já deflagrada no País, o procurador Deltan Dallagnol se despede do cargo de coordenador da força-tarefa. As horas extras de trabalho passam a ser dedicadas ao tratamento da filha de 1 ano, que vem apresentando sinais de regressão no desenvolvimento.

Em entrevista ao jornal Estadão, Deltan diz que a decisão foi motivada exclusivamente pela necessidade de cuidar da família, mas admite que sentiu os ataques enquanto esteve no cargo.

“Tentaram por inúmeras vezes, sem sucesso, aplicar punições desproporcionais ou me retirar à força da coordenação”, afirma.

A saída foi anunciada em um momento de reveses para a Lava Jato. Os grupos de trabalho no Paraná, no Rio de Janeiro e em São Paulo travam um embate judicial com a cúpula do Ministério Público Federal (MPF) para impedir o compartilhamento irrestrito do banco de dados sigilosos da operação. O pedido de devassa partiu do chefe da instituição, o procurador-geral da República, Augusto Aras, que, empunhando o mote da ‘correção de rumos’, colocou sob suspeita o volume de informações conservado pelas forças-tarefa.

“A postura dele (Aras) em relação às forças-tarefa está equivocada. Elas são modelos de atuação no Brasil e no mundo. Alcançaram resultados contra a corrupção antes inimagináveis. É algo a ser mantido, expandido e replicado”, defende Deltan.

A prorrogação dos grupos de trabalho ainda é dada como incerta. À revelia dos procuradores, que temem perder independência para tocar as apurações, o Conselho Superior do Ministério Público discute a remodelação da operação por meio da centralização das investigações sob o guarda-chuva de um comando único em Brasília.

Na visão de Deltan, a discussão é ‘crucial’ para o futuro da operação. “Essa é uma das decisões que devem se pautar pelo interesse público e não eventuais questões pessoais”, argumenta.

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