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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo
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quinta-feira 9 de maio de 2024 às 18:27h

Entrevista Ricardo Nunes: Não vou esconder Bolsonaro, mas fazer agenda juntos vai depender dele

ELEIÇÕES 2024, NOTÍCIAS


Prefeito Ricardo Nunes (MDB), nega em entrevista a Bianca Gomes e Mauricio Xavier, do O Globo, guinada à direita em eventual novo mandato, defende anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro e, apesar do apoio do ex-presidente, diz não querer nacionalizar a campanha

O senhor se considera candidato de esquerda, centro ou direita?

Eu não me considero, sou de centro. É a minha história de vida, desde que eu me filiei ao MDB, com 18 anos, no mesmo dia em que eu tirei o meu título de eleitor.

Pretende fazer campanha junto com Bolsonaro ou ele vai ficar escondido?

Da minha parte não vai ter nada escondido. Eu sempre falei e volto a dizer: o apoio do presidente Bolsonaro é muito importante. A gente vai ter o centro e a direita juntos para vencer a extrema esquerda. Então isso é uma coisa, para mim, muito tranquila.

Mas o senhor vai fazer agenda com ele?

Vai depender dele, né? Agora, eu vou tratar da campanha discutindo os temas da cidade. Eu não quero nacionalizar, não é justo com a população de São Paulo. Nós temos que discutir a cidade.

Vocês têm relação pessoal próxima?

Não, não temos. Eu conheci o presidente Bolsonaro em julho de 2021. Foi quando eu levei a proposta do Campo de Marte e de quitar a dívida de R$ 25 bilhões da cidade. Depois, encontrei com ele numa formatura da Polícia Militar. Teve também uma homenagem da Rota que ele me chamou e eu fui. Além disso, um almoço que o Valdemar (Costa Neto) me chamou. Por fim, a manifestação na Paulista e depois um encontro à noite. Assim, conheço o Bolsonaro, já fui na casa dele, ele já foi na minha… Mas a gente se fala? Não.

O senhor vê perseguição ao ex-presidente?

Falaram que ele importunou a baleia. Ele foi chamado, depôs, e concluíram que não importunou. Depois ele foi na Embaixada e disseram que foi para fugir. Mais um caso que acabou arquivado. Acusam ele de ter roubado os móveis (do Alvorada) e, depois, acharam os móveis. Isso é o quê? Se coloque no lugar da pessoa, independente de ser o presidente Bolsonaro.

Qual é a sua opinião sobre o 8 de Janeiro?

Acho que foi uma depredação. São pessoas que cometeram um ato de vandalismo e têm que responder pelo que fizeram.

É favorável à proposta de anistia aos envolvidos?

Sou favorável. Acho que está muito longe de aquilo ser um golpe. Tinha pessoas em situação de rua e idosos. Tem um rapaz que foi preso que tinha uma empresa, está muito longe de ser um golpista. Agora, lógico, deixando muito claro, é um ato criminoso e todos têm que ser responsabilizados pelo vandalismo que cometeram. Agora, o Boulos, por exemplo, invadiu o Ministério da Fazenda, estava lá em cima da mesa, quebrando tudo. Aquilo é golpe?

O que o senhor acha da estratégia de Guilherme Boulos de associá-lo ao ex-presidente?

Eu tenho o apoio do Bolsonaro. Nunca neguei, pelo contrário. Tenho falado abertamente. A vida dele (Boulos) é ter esse comportamento, de não ser honesto e de não ser justo. Ele ataca as pessoas, mente, ofende. É Boulos sendo Boulos. É o cara que está o tempo inteiro agredindo, criticando, que não tem nada para mostrar.

Há muitos cotados para a sua vice. Como fará essa escolha?

O presidente Bolsonaro vai ser escutado, com certeza. Como o Tarcísio (de Freitas), o (Gilberto) Kassab, o Valdemar, o Ciro (Nogueira), a Renata Abreu. Todos os partidos. Esse assunto acabou sendo antecipado por conta do presidente Lula ter decidido quem será a vice do Boulos. Precisa sentar com todo mundo e definir o melhor perfil. Precisa ser alguém que conheça a cidade.

Pretende dar uma guinada à direita em um próximo mandato?

Com Aldo Rebelo de secretário? Soninha Francine? Carlos Bezerra Júnior? Eunice (Prudente)? Não adianta… Todos nós temos uma história de vida. Em algum momento você pode mudar um pouco para lá, um pouco para cá. Mas a essência é a essência.

Qual avaliação faz do governo Lula e como é a relação da prefeitura com o governo federal?

Tempos atrás o ministro Wellington (Dias) veio almoçar comigo. A ministra Simone (Tebet) esteve aqui, o ministro (Alexandre) Padilha eu sempre falo. É uma relação boa, institucional. Agora, Bruno (Covas) faleceu dia 16 de maio. Em julho, o presidente Bolsonaro me ligou, convidando o prefeito da maior cidade para ele conhecer. Eu não tive nenhum convite ainda do presidente Lula para ter um encontro com ele.

O senhor enxerga como uma gestão que tem ido bem, mal, regular?

Acho que não está indo bem. Quando você vai ao Judiciário para pegar setores que mais empregam e acabar com a desoneração (da folha) é muito preocupante. Tem algumas questões que precisaria melhorar, principalmente a responsabilidade fiscal.

O Ministério Público apontou conexão de contratos do setor de transporte público com o crime organizado em São Paulo. O senhor tem afirmado que não é papel da prefeitura realizar investigações mas, nesse caso, por que não interromper o contrato e colocar outro operador?

Há dois anos, quando teve uma operação da Polícia Civil, fui ao Ministério Público e pedi que acelerassem as investigações. Coloquei à disposição toda a estrutura da prefeitura para ajudar. Essas empresas entraram no sistema oficialmente em 2004, no governo do PT, e desde então foram feitos contratos de emergência. Quando o Covas assume, ele faz a licitação. As empresas atenderam os critérios. A condição para cancelar um contrato é ter alguma informação contundente de que existe descumprimento, caso contrário, corremos o risco de pagar uma grande indenização. Estou mandando multar, mas dentro dos requisitos, eles estão atendendo o contrato.

Em 2022, o senhor afirmou ser contra a privatização da Sabesp. Mas, recentemente, sancionou o projeto que autoriza a revisão do contrato da prefeitura, que basicamente autoriza a desestatização pelo governo estadual, em pouco mais de 20 minutos. Por que a mudança de ideia?

Eu continuaria contra se fosse para fazer a privatização sem que a prefeitura de São Paulo tivesse um ganho com isso. No atual contrato, a Sabesp tem que investir 13% em obras da cidade. Isso irá para 25% entre 2025 e 2029. A Sabesp, segundo o contrato, tem que depositar no fundo municipal de saneamento (FMSAI), 7,5% do seu faturamento. O que nós colocamos? Que teremos que ter agora o adiantamento do que tem de previsão de arrecadação do FMSAI entre 2025 a 2029, que vai ser 5,5% desse faturamento, então vamos ter R$ 2,28 bilhões. Também incluímos questões que precisamos resolver, por exemplo os buracos que eles fazem nas ruas e a intermitência do fornecimento de água.

A aproximação política com Tarcísio ajudou a melhorar o contrato da Sabesp com a prefeitura?

Não digo que a aproximação política, mas a minha confiança em um cara que conhece como ninguém as questões de privatização, de concessão, de parceria público-privada.

O senhor está seguro em relação à manutenção no valor da tarifa? É a grande preocupação da população.

Sim, vai estar no contrato não ter aumento da tarifa e reduzir a tarifa social já nesse ano.

Uma crítica frequente à sua gestão é de que várias obras são realizadas sem abertura de licitação. Por quê?

É uma colocação ou maldosa ou de alguém que não tem conhecimento da administração pública. Quando você tem alguma situação que coloque em risco ou que você tenha uma emergência, faz uma obra emergencial, porque uma licitação demora. Quem define isso são os técnicos.

Várias ações foram executadas na cracolândia, mas continua sendo um problema percebido como grave pela população paulistana. O senhor segue acreditando que internação compulsória é a solução?

Ela é absolutamente necessária. Só precisa esclarecer: quando é que se define a internação compulsória? Um médico prescreve e submete ao juiz.

Sua gestão inaugurou centros de acolhida para mulheres e homens trans, e hotel para homens gays. Há risco de retroceder nessas políticas para atender pressões bolsonaristas?

Fui o prefeito que abriu o primeiro centro de tratamento para as pessoas trans. Não vou mexer (nas políticas LGBT).

Segundo o último censo, São Paulo tem 31 mil pessoas em situação de rua. O que pretende fazer para diminuir esse número num eventual próximo mandato?

Saímos de 14 mil para 25 mil vagas de acolhimento. Criei o projeto Vila Reencontro, temos cinco vilas, vou inaugurar mais cinco até o fim do ano e ampliar (se eu for reeleito).

Se reeleito, qual projeto pretende tirar do papel?

Dar continuidade ao que estamos fazendo. Conseguimos levar a cidade para um patamar de investimento bem elevado. Esse ano nós temos R$ 16 bilhões. Vamos dar continuidade às obras de mobilidade e de drenagem. O que me encanta são as obras que estamos fazendo na periferia. É de onde eu vim.

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