quarta-feira 27 de outubro de 2021
O procurador-geral da República, Augusto Aras, é observado pelo senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) durante sabatina que selou recondução do PGRO procurador-geral da República, Augusto Aras, é observado pelo senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) durante sabatina que selou recondução do PGR | Pedro França/Agência do Senado
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quarta-feira 13 de outubro de 2021 às 19:55h

Reação de Alcolumbre a Bolsonaro é estratégia para emplacar Augusto Aras no Supremo

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As recentes movimentações do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) na disputa com o Palácio do Planalto em torno da indicação de André Mendonça para o STF são parte de uma operação segundo a coluna de Malu Gaspar, no O Globo, para fazer Jair Bolsonaro desistir de nomear um jurista “terrivelmente evangélico” e concordar em colocar no Supremo o atual procurador-geral da República, Augusto Aras.

Em conversas reservadas que teve nos últimos dias com a cúpula do MDB no Senado, o ministro do STF Gilmar Mendes e o próprio Aras, Alcolumbre deixou claro que o plano é manter-se firme em torno do nome do atual procurador-geral da República e não ceder à pressão de Bolsonaro.

Dois passos importantes dessa estratégia já foram dados. Um deles foi difundir a informação de que ele, Alcolumbre, só pautaria a indicação de um novo ministro do STF em 2023 – ou seja, no próximo mandato presidencial.

O outro foi cobrar diretamente Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) pelas recentes declarações do pai dele a seu respeito – e, claro, deixar vazar detalhes aos jornalistas.

Na última sexta-feira, Bolsonaro sugeriu estar sendo chantageado para desistir da indicação de Mendonça em troca de “resolver” a CPI da Covid. No domingo, o presidente afirmou que Alcolumbre “teve tudo o que foi possível durante os dois anos comigo e de repente ele não quer o André Mendonça”. Hoje, ele voltou à carga e disse que o senador pelo Amapá “age fora das quatro linhas da Constituição”.

O novo rumo de Alcolumbre começou a ser traçado depois que o ministro do Supremo Ricardo Lewandowski decidiu que não cabe à corte interferir em questões internas do Senado e que cabe ao parlamento decidir quando marcar a sabatina de Mendonça.

Alcolumbre considera que a decisão de Lewandowski lhe dá um salvo conduto para protelar o quanto quiser uma definição sobre o assunto. Sabe, também, que dificilmente o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, tomará para si a prerrogativa de levar o nome de Mendonça ao plenário sem que ele concorde.

Pressão: Governistas planejam usar sabatina de Aras para ofensiva pró Mendonça sobre Alcolumbre

Ao emitir sinais de que pode adiar a sabatina indefinidamente, Alcolumbre agora espera fazer com que os pastores e parlamentares evangélicos desistam do apoio a Mendonça e apresentem alternativas a Bolsonaro.

Segundo interlocutores de Alcolumbre, o próprio Flávio Bolsonaro já avisou que o presidente da República aceitaria nomear algum outro evangélico à vaga de ministro do Supremo.

Uma das alternativas já apresentadas ao presidente da República seria indicar o deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP). Mas Bolsonaro não quer Pereira, por saber que nem todos os evangélicos aceitariam apoiar um ministro do Supremo que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus.

Pois a aposta de Alcolumbre é justamente a de que os evangélicos não chegarão a um nome de consenso e acabarão cedendo à indicação de Augusto Aras. Enquanto espera os apoios de Mendonça desidratarem, Alcolumbre se reuniu na semana passada com senadores do MDB e do PSD para reiterar o que já vinha dizendo nos bastidores: que não vai submeter a indicação de um lavajatista para a vaga no Supremo Tribunal Federal.

Nessas conversas, diz ter evidências de que Mendonça tem um compromisso com o grupo de Deltan Dallagnol e Sérgio Moro para reverter decisões “importantes para a classe política”– como, por exemplo, a decisão do Supremo que acabou com a possibilidade de condenação após julgamento em segunda instância.

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