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quarta-feira 13 de outubro de 2021 às 11:02h

Presidente da COP 26 pede mais empenho aos líderes mundiais nas questões climáticas

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A pouco mais de duas semanas da abertura da Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente da COP 26, Alok Sharma, pediu aos líderes mundiais que evitem o fracasso do evento, que acontecerá em Glasgow, na Escócia, ao alertar que ainda é preciso fazer avanços em alguns pontos-chave.

“É preciso honrar as promessas feitas em Paris há seis anos e, em última instância, isso recai sobre os líderes mundiais”, declarou, em pronunciamento, durante a visita que fez à sede da Unesco, em Paris.

“O sucesso ou o fracasso da COP 26 está em suas mãos, assim como o futuro do Acordo de Paris”, afirmou. O documento, elaborado em 2015 na capital francesa, busca limitar o aumento da temperatura em 1,5 ºC, em relação à era pré-industrial. “Se não agirmos imediatamente, não poderemos respeitar o limite. Essa é a promessa de Paris e deve ser mantida em Glasgow.”

Segundo o britânico, embora tenham sido feitos alguns avanços, quatro pontos cruciais ainda precisam sair do papel: a redução das emissões, a adaptação aos efeitos da mudança climática, o financiamento aos países mais pobres e a cooperação internacional.

Mais de 120 dirigentes mundiais confirmaram presença em Glasgow, durante a cúpula de abertura da COP 26 em 1º e 2 de novembro, assinalou o presidente da conferência. As tensões entre Estados Unidos e China aumentam a preocupação sobre o progresso das negociações climáticas (leia mais nesta página). Sharma frisou que a reunião do G20, em 30 e 31 de outubro, em Roma, às vésperas da COP 26, será uma ocasião para avançar. “As mensagens que o evento deixará sobre a luta contra a mudança climática serão de vital importância.”

Ainda mais quando países como China e Índia, que são grandes emissores dos gases do efeito estufa, não entregaram suas contribuições determinadas em nível nacional das futuras reduções de emissões (NDC), como prevê o Acordo de Paris. “Espero que, nos 19 dias que restam (para a COP), vejamos novas NDCs, incluídas as do G20, que não apresentaram novas contribuições mais ambiciosas”, disse. “A COP não serve para posar para fotografias, não é um fórum de discussões. Deve ser o lugar onde se coloque o mundo no rumo certo em matéria climática, e isso cabe aos líderes. Creio que eles entendem a responsabilidade que têm pela frente.”

Biodiversidade

Na conferência da ONU sobre biodiversidade, que começou na segunda-feira e encerra na sexta-feira, a COP 15, a China anunciou a criação de um novo fundo para proteger a diversidade biológica nos países em desenvolvimento, dotado de US$ 233 milhões. O país é o anfitrião do evento, que acontece virtualmente agora e volta a reunir líderes e formuladores de políticas públicas em abril e maio, na cidade de Kunming. “A China convida (…) todas as partes a contribuírem para o fundo”, disse o presidente chinês, Xi Jinping.

Com uma sessão intermediária em Genebra, em janeiro, a COP 15 pretende estabelecer um novo marco para a proteção da natureza, prejudicada pelas atividades humanas, até 2050, com uma primeira etapa em 2030.“Estamos perdendo nossa guerra suicida contra a natureza”, alertou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. Ele advertiu que o colapso dos ecossistemas pode custar quase US$ 3 trilhões por ano até 2030, impactando principalmente os países pobres. “A COP 15 é a nossa chance de um cessar-fogo, com a COP 26 sobre o clima”, acrescentou.

A questão do financiamento é um dos principais pontos de conflito, com os países em desenvolvimento pedindo aos países desenvolvidos que paguem por sua transição. O texto em negociação na COP15 prevê reorientar e eliminar subsídios ambientalmente prejudiciais de pelo menos US$ 500 bilhões por ano e aumentar os recursos financeiros, de todas as fontes, para pelo menos US$ 200 bilhões por ano. Para alguns países, o Fundo Global para o Meio Ambiente (EGF) é a ferramenta adequada para financiar ações em favor da biodiversidade.

“Todas as fontes, especialmente aquelas provenientes de fundos existentes, como o Fundo Global para o Meio Ambiente, mas também fundos climáticos, devem, portanto, ser mobilizadas para proteger, administrar de forma sustentável e restaurar a biodiversidade”, defendeu o presidente francês Emmanuel Macron. A França se comprometeu a dedicar 30% de seu financiamento climático internacional à biodiversidade.

EUA e China: rivalidade no centro do debate

A crise climática ganha impulso global, mas será impossível agir sem dois países, China e Estados Unidos, que, juntos, respondem por mais da metade das emissões mundiais e cujos governos não se dão bem. Na véspera da cúpula COP 26, em Glasgow, especialistas acreditam que a cooperação entre as duas nações pode ser o catalisador para um acordo histórico sobre a mudança climática.Também estimam que sua relação glacial não é necessariamente um obstáculo intransponível, já que a competição entre Washington e Pequim pode impulsionar o combate ao aquecimento global.

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