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Ex-presidente Santiago Peña é preso no Paraguai após impeachment

Peña foi detido em Assunção após impeachment; ao mesmo tempo em que Pedro Alliana assume a Presidência do Paraguai

06/11/2026 às 20h17
Por: Redação #Acesse Política
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Foto: Reprodução/Rede social
Foto: Reprodução/Rede social

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso e ficará sob custódia, na noite desta sexta-feira (6), em sua residência particular, em Assunção, por determinação judicial. A detenção ocorreu no mesmo momento em que Pedro Alliana tomava posse como novo presidente do país, durante cerimônia no Congresso Nacional. Peña deverá comparecer ao Ministério Público neste sábado (7), às 11h.

“Asseguramos sua permanência no país e ele vai se submeter ao procedimento. Ficou em seu domicílio com resguardo policial na qualidade de detido”, disse a promotora Silvia González a jornalistas.

Peña foi destituído da Presidência do Paraguai nesta sexta, após um processo de impeachment relacionado à crise do Ueno Bank, que foi fechado na terça-feira (3) e causou uma crise política e financeira no país.

A prisão de Peña ocorre após pedido do Ministério Público do Paraguai. A promotoria também solicitou o bloqueio de bens e contas bancárias registrados em nome do ex-mandatário.

Quatro procuradoras apresentaram uma acusação formal contra o ex-presidente por suspeitas de abuso de confiança, tentativa de fraude, suposto enriquecimento ilícito e outros crimes. A solicitação faz parte do processo aberto na quinta-feira (5) pelo procurador-geral do Estado, Emiliano Rolón, após denúncias contra o ex-presidente.

Em 2023, Santiago Peña declarou participação acionária de 6,144 bilhões de de guaranis paraguaios na Ueno Holding. As ações foram vendidas em abril de 2025. Ele também possuía um Certificado de Depósito de Poupança (CDA) de 2,4 bilhões de guaranis paraguaios na Ueno.

O caso também envolve oito ex-executivos do Ueno Bank, inicialmente acusados de supostas irregularidades na administração da instituição, abuso de confiança, tentativa de fraude e violação da obrigação de manter livros comerciais.

Entre os investigados estão o fundador do banco, Federico Miguel Vázquez Villasanti, e o ex-presidente da instituição, Juan Manuel Gustale Cardoni.

Por determinação do juiz Rodrigo Estigarribia, os homens tiveram a prisão preventiva decretada e foram encaminhados ao Centro Nacional de Detenção Preventiva, antigo presídio de Tacumbú. Duas ex-diretoras receberam prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.

Cronologia da crise no Paraguai

Segunda-feira (2/11)

  • O Banco Central do Paraguai iniciou os procedimentos que levariam à intervenção no Ueno Bank, diante de problemas na situação financeira da instituição. A crise atingiu uma instituição que atendia cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos.

Terça-feira (3/11)

  • O Banco Central anunciou a intervenção no Ueno Bank após identificar que o índice de solvência da instituição havia caído para 5,56%, abaixo do mínimo regulatório de 12%. Os serviços bancários foram suspensos, impedindo clientes de movimentar dinheiro por aplicativos, cartões e caixas eletrônicos.
  • O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo em meio à crise.
  • A investigação sobre suspeitas de irregularidades financeiras avançou, e a Justiça determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao banco. Entre eles estavam o fundador Federico Vázquez Villasanti e o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale.

Quarta-feira (4/11)

  • Um grupo de 35 deputados apresentou um pedido de impeachment contra Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana.
  • Os parlamentares apontaram suspeitas de conflito de interesses envolvendo a antiga participação de Peña na holding controladora do Ueno Bank e questionaram a concentração de recursos públicos na instituição.
  • Manifestantes foram às ruas de Assunção para exigir responsabilização dos envolvidos e a saída do presidente. Houve confronto com a polícia, que utilizou spray de pimenta, balas de borracha e jatos de água.
  • Os oito investigados ligados ao banco foram detidos.

Quinta-feira (5/11)

  • O presidente do Partido Colorado, Horacio Cartes, declarou apoio ao impeachment. Parlamentares governistas e dissidentes também passaram a apoiar o afastamento de Peña.
  • Santiago Peña anunciou sua renúncia à presidência, alegando que buscava preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.
  • Mesmo com a renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade o pedido de impeachment.
  • O Congresso convocou uma sessão conjunta para analisar a renúncia. A votação, porém, foi interrompida por falta de quórum, após parlamentares governistas deixarem o plenário. A oposição defendeu que Peña não deveria receber o título de senador vitalício nem a imunidade parlamentar que acompanha a condição.
  • Os oito dirigentes e ex-dirigentes do Ueno Bank tiveram a prisão preventiva decretada.
  • O Ministério Público detalhou suspeitas de uma operação simulada de venda de uma carteira de créditos de US$ 74,4 milhões, utilizando recursos do próprio banco.
  • Peña voltou a se manifestar e afirmou que compareceria ao Senado para exercer seu direito de defesa.

Sexta-feira (6/11)

  • Santiago Peña não compareceu à sessão de julgamento no Senado, apesar de ter anunciado que apresentaria sua defesa.
  • Os senadores rejeitaram, por 39 votos a 3, o pedido da defesa para adiar o julgamento por 72 horas.
  • O Senado concluiu os debates e votou pela destituição de Peña por impeachment.
  • Com a destituição, Peña perdeu o direito de assumir uma cadeira vitalícia no Senado e a imunidade parlamentar associada ao cargo. A crise também provocou a saída de integrantes do governo: o ministro do Interior, o chefe de gabinete, o assessor jurídico e o assessor político de Peña deixaram seus cargos.
  • O vice-presidente Pedro Alliana passou a ser o sucessor de Peña na presidência.
  • Logo após sofrer impeachment, Santiago Peña é acusado e o Ministério Público pede sua prisão.
  • Santiago Peña já está sob custódia e à disposição do Ministério Público.
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