
O presidente Lula (PT) e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) ampliaram sua votação em municípios do Recôncavo Baiano e da Ilha de Itaparica nas eleições de 2026. O desempenho em cidades próximas à futura Ponte Salvador-Itaparica reacendeu o debate sobre a influência dos investimentos públicos e das perspectivas de desenvolvimento econômico no comportamento do eleitorado.
Em Maragogipe, onde está instalado um canteiro de obras relacionado ao empreendimento, Lula passou de 72,12% dos votos válidos no segundo turno de 2022 para 80,86% em 2026. No mesmo período, a votação do candidato adversário caiu de 27,88% para 19,14%. Os dados eleitorais de 2026 também mostram votação expressiva do presidente em municípios da Ilha de Itaparica.
Em Itaparica, Lula alcançou 82,06% dos votos válidos no segundo turno, enquanto em Vera Cruz obteve 78,99%. Os números reforçam a presença eleitoral do petista na região, embora os resultados, isoladamente, não permitam atribuir o crescimento diretamente às obras da ponte.
O empreendimento tem investimento estimado em R$ 11,6 bilhões e prevê uma ligação de 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos. A obra integra o Novo PAC e tem previsão de conclusão em 2031. A expectativa é melhorar a conexão entre Salvador, a Ilha de Itaparica, o Recôncavo e outras regiões da Bahia, além de estimular atividades econômicas e a geração de empregos.
Para o cientista político João Vilas Bôas, o desempenho eleitoral está relacionado a uma combinação de fatores. Ele destaca a liberação de recursos, a expectativa em torno da ponte e o trabalho de mobilização realizado por lideranças políticas nas comunidades.
“Considero fundamental o papel da articulação política no território. No segundo turno, tivemos uma campanha muito próxima da população, com presença nas comunidades, mobilização de lideranças e muito diálogo porta a porta”, afirmou.
Na avaliação do especialista, a apresentação dos investimentos por pessoas que conhecem a realidade local contribuiu para aproximar a pauta do empreendimento dos eleitores.
O doutor em Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e professor da Escola Politécnica José Lázaro de Carvalho avalia que a ponte poderá provocar mudanças importantes na mobilidade e na economia baiana.
Segundo ele, o projeto faz parte do Sistema Viário Oeste e deverá criar uma nova conexão rodoviária entre Salvador, a Ilha de Itaparica, o Recôncavo e o Sul do estado. O especialista também aponta oportunidades para ampliar negócios e estimular o desenvolvimento econômico da Região Metropolitana de Salvador, do Recôncavo e do Baixo Sul.
A expansão da votação dos dois governantes ocorre, portanto, em uma região diretamente relacionada a um dos principais projetos de infraestrutura da Bahia. Especialistas ressaltam, porém, que o resultado eleitoral também precisa ser analisado considerando a identificação histórica de parte do eleitorado baiano com o petismo, a presença das lideranças locais e a capacidade de mobilização política.
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