
A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) pediu ajuda financeira a seus apoiadores para custear sua permanência na Itália. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (3), ela anunciou a criação de uma comunidade virtual com mensalidade de R$ 50, que oferecerá conteúdos exclusivos e relatos sobre o período em que esteve presa em Roma.
Segundo Zambelli, os recursos arrecadados serão utilizados para pagar suas despesas pessoais no exterior até que consiga regularizar sua situação financeira. A ex-parlamentar atribuiu as dificuldades ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que o bloqueio de seus bens e sua inclusão na lista de procurados da Interpol dificultam sua vida na Itália.
A ex-deputada também alegou que bancos italianos se recusam a abrir contas em seu nome por causa dos registros relacionados ao processo de invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo ela, a situação também representa um obstáculo para conseguir emprego no país, já que não teria como receber salários sem uma conta bancária.
No vídeo, Zambelli fez um apelo direto aos seguidores e pediu que aqueles que admiram sua trajetória contribuam com a assinatura mensal. A comunidade promete oferecer informações exclusivas, conteúdos sobre diferentes assuntos e relatos de sua experiência durante a prisão na capital italiana.
Zambelli deixou o Brasil em 2025, depois de ser condenada pelo STF a dez anos de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de invasão dos sistemas eletrônicos do CNJ e falsidade ideológica. A investigação apontou sua participação na ação que resultou na inserção de documentos falsos nos sistemas do órgão, incluindo um mandado de prisão contra o próprio Alexandre de Moraes.
Em julho daquele ano, a ex-parlamentar foi presa em Roma, após ter seu nome incluído na lista vermelha da Interpol. Ela permaneceu detida até maio de 2026, quando foi libertada depois que a Corte de Cassação italiana rejeitou o pedido de extradição relacionado ao processo do CNJ. A decisão, entretanto, não anulou a condenação imposta pela Justiça brasileira.
A ex-deputada também recebeu uma segunda condenação, de cinco anos e três meses de prisão, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso envolve a perseguição armada ao jornalista Luan Araújo, em São Paulo, durante a campanha eleitoral de 2022.
O pedido de extradição relacionado a essa segunda condenação continua em análise pela Justiça italiana. A Corte de Apelação de Roma adiou para 24 de novembro de 2026 a audiência sobre o caso, após solicitação da defesa para analisar documentos enviados pelo Brasil sobre as condições do sistema prisional brasileiro.
Enquanto aguarda a decisão das autoridades italianas, Zambelli permanece em liberdade no país europeu e tenta obter recursos por meio da comunidade paga anunciada nas redes sociais.
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