
A direção nacional do PT aprovou, nesta quinta-feira (29), uma resolução na qual afirma que a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante da reeleição de Lula da Silva (PT) exige atenção do governo brasileiro. O documento também rejeita qualquer tentativa de interferência estrangeira no processo democrático e sustenta que o resultado das urnas deve ser respeitado.
A manifestação ocorre após Trump questionar a eleição brasileira, realizada no domingo (25), e afirmar, sem apresentar provas, que o processo pareceu fraudulento. O presidente norte-americano também chamou o pleito de “desgraça” e “vergonha”, além de evitar reconhecer formalmente a vitória de Lula.
Na resolução, o partido afirma que o Brasil não aceitará que interesses estrangeiros interfiram em sua democracia nem que disputas políticas sejam utilizadas como justificativa para contestar a vontade dos eleitores. Lula foi reeleito com 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Apesar das críticas do republicano, a tendência do governo brasileiro é preservar uma relação pragmática com Washington e evitar um confronto direto. O episódio, no entanto, ocorre em meio a divergências diplomáticas envolvendo a indicação de Daniel Perez para a embaixada norte-americana no Brasil.
O documento do PT também menciona a viagem de Flávio aos Estados Unidos, realizada após a derrota eleitoral e em meio a investigações conduzidas pela Polícia Federal. A legenda classificou o episódio como revelador da “gravidade do momento político” e voltou a criticar a postura do grupo Bolsonaro diante de resultados eleitorais.
A viagem ocorreu depois de o senador ser intimado a entregar seus passaportes, em uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. Flávio nega irregularidades, enquanto o caso segue sob apuração das autoridades.
A resolução foi aprovada pela Executiva Nacional do PT e também orienta a militância a manter a mobilização política após a vitória de Lula. As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo, em reportagem de Catia Seabra e Caio Spechoto.
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