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terça-feira 30 de janeiro de 2024 às 14:03h

PF investiga se assessora de Carlos Bolsonaro buscava informações de inquérito sobre atuação da PRF na eleição de 2022

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A Polícia Federal investiga se uma mensagem enviada por uma assessora do vereador do Rio Carlos Bolsonaro para o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), tinha como intuito buscar informações de um inquérito que apurava uma suposta interferência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na eleição de 2022.

Em uma mensagem enviada em novembro de 2022, Luciana Almeida, assessora de Carlos, recorre a Ramagem para levantar informações de inquéritos da PF. “Estou precisando de uma ajuda. Dra. Isabela Muniz Ferreira — Delegacia da PF Inquéritos Especiais. Inquéritos: 73.630 / 73.637 (Envolvendo PR e 3 filhos)”, diz a auxiliar do vereador do Rio.

No mesmo mês, em novembro, a PF instaurou um inquérito para apurar se a cúpula da PRF atuou numa suposta trama para atrapalhar o trânsito de pessoas durante a votação do segundo turno das eleições presidenciais em 2022. Na época, a delegada federal Isabela Muniz Ferreira era a responsável pela apuração do caso e comandava a área de Inquéritos Especiais na Superintendência da PF no Distrito Federal.

Procurada, a delegada afirmou que a área de inteligência da PF, que hoje atua na investigação da PRF, vai auditar os inquéritos citados nas mensagens para saber como essas informações vazaram. “Adianto que os números não correspondem às investigações. O fato de terem citado meu nome não me compromete como presidente do IPL (inquérito). Inclusive, os trabalhos foram feitos junto com a área de inteligência da PF”, disse a delegada.

A mensagem recebida por Ramagem foi obtida pela PF por meio de uma quebra de sigilo autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A medida possibilitou aos investigadores terem acesso aos arquivos do celular de Ramagem salvos na nuvem. O material está sendo periciado — e, segundo o inquérito, revela indícios da atuação de um “núcleo político” no escândalo de espionagem da Abin.

Segundo a PF, esse “núcleo político”, do qual Carlos fazia parte, “se valia de Ramagem para obtenção de informações sigilosas e/ou ações ainda não totalmente esclarecidas”.

De réveillon a padrinho político

Carlos Bolsonaro e Ramagem se aproximaram durante a campanha à Presidência em 2018, quando o delegado da Polícia Federal atuou como um dos coordenadores da segurança de Jair Bolsonaro. Naquela época, Ramagem conquistou a confiança do vereador do Rio de Janeiro ao levar informações de inteligência de ameaças ao então candidato do PSL.

O vereador do Rio de Janeiro chegou a compartilhar uma foto de uma festa de Ano Novo, entre 2018 e 2019, em que aparece ao lado de Ramagem.

Após a vitória de Jair Bolsonaro nas urnas em 2018, Ramagem foi designado para assumir o comando da Abin e assessorar o presidente eleito em assuntos de inteligência.

Apadrinhado por Carlos Bolsonaro, Ramagem foi eleito deputado federal em 2022 e atualmente ensaiava se lançar como candidato à prefeitura do Rio de Janeiro. O vereador do Rio de Janeiro foi escolhido para coordenar a campanha do delegado da Polícia Federal.

Na quinta-feira passada, Ramagem foi alvo de uma operação da PF para apurar indícios de um esquema de espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro, conforme publicou o jornal O Globo, em março do ano passado.

Nessa segunda-feira, Carlos Bolsonaro também foi alvo da mesma investigação sob suspeita de ter sido um dos destinatários das informações levantadas de forma clandestina pela agência, que era comandada na época por Ramagem.

A defesa de Ramagem afirmou que aguarda os desdobramentos da investigação. Na semana passada, ele afirmou que nunca teve acesso às senhas de sistemas de monitoramento para espionar autoridades públicas e cidadãos comuns

— Nós da direção da Polícia Federal, policiais federais que estavam comigo, nunca tivemos a utilização, execução, gestão ou senha desses sistemas — disse Ramagem à GloboNews.

A defesa do vereador sustenta que Carlos nunca teve ligação com a Abin e afirmar que o suposto acesso a informações sigilosas não passa de uma “narrativa criada e que não é a realidade”.

Os advogados de Bolsonaro, que não foi alvo das buscas realizadas ontem, afirmaram que a PF atuou com “excesso, ao passo que foram apreendidos objetos pessoais de cidadãos diversos do vereador Carlos Bolsonaro, apenas pelo fato de estarem no endereço em que a busca foi realizada”.

Em nota divulgada na semana passada, a Abin disse que “é a maior interessada” na apuração dos fatos e que continuará a colaborar com as investigações. “Há 10 meses a atual gestão da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) vem colaborando com inquéritos da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal sobre eventuais irregularidades cometidas no período de uso de ferramenta de geolocalização, de 2019 a 2021. A Abin é a maior interessada na apuração rigorosa dos fatos e continuará colaborando com as investigações”, disse o órgão.

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