
O democrata James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton na disputa por uma cadeira no Senado dos Estados Unidos pelo Texas, segundo projeção da Associated Press. A vitória, confirmada na terça-feira (3), representa um marco histórico para os democratas, que não elegiam um senador pelo estado desde 1988.
Aos 37 anos, Talarico encerrou também um jejum de mais de três décadas sem vitórias democratas em eleições estaduais no Texas. O resultado representa uma derrota para o presidente Donald Trump, que apoiou pessoalmente Paxton e mobilizou aliados para tentar manter a cadeira sob controle republicano.
A conquista fortalece a estratégia democrata de recuperar a maioria no Senado e demonstra uma mudança no comportamento eleitoral de um estado que deu ampla vantagem a Trump na eleição presidencial de 2024.
A disputa no Texas foi uma das mais caras das eleições de meio de mandato de 2026. O empresário Elon Musk, um dos homens mais ricos do mundo, destinou aproximadamente US$ 190 milhões a iniciativas políticas de apoio à candidatura republicana, segundo informações de registros eleitorais e do jornal Texas Tribune.
O investimento ajudou a financiar campanhas publicitárias em larga escala para favorecer Paxton e atacar o adversário democrata. Mesmo diante do volume de recursos mobilizados, a campanha republicana não conseguiu impedir a vitória de Talarico.
Trump e o vice-presidente J.D. Vance também participaram diretamente da campanha, demonstrando apoio ao procurador-geral texano e fazendo críticas ao adversário.
Deputado estadual, ex-professor e seminarista presbiteriano, Talarico construiu sua campanha com um discurso de inspiração cristã e propostas voltadas ao custo de vida, à redução das desigualdades e ao combate à corrupção.
Uma de suas principais mensagens foi a de que a divisão política americana não deveria ser compreendida apenas entre esquerda e direita, mas entre os mais ricos e os trabalhadores.
O democrata também defendeu a proibição de que integrantes do Congresso negociem ações na bolsa de valores, argumentando que a prática pode gerar conflitos de interesses e comprometer a confiança da população nas instituições.
Durante a campanha, Talarico direcionou críticas à atuação política e ao histórico de controvérsias envolvendo seu adversário, apresentando a eleição como uma oportunidade de mudança na representação do Texas em Washington.
Aos 63 anos, Paxton chegou à eleição depois de uma trajetória marcada por disputas judiciais e questionamentos políticos. O procurador-geral do Texas foi acusado de fraude em operações financeiras e enfrentou um processo de impeachment em 2023, aprovado pela Câmara estadual, mas acabou absolvido pelo Senado do Texas.
Ele também foi alvo de uma investigação federal relacionada a suspeitas de corrupção, encerrada sem apresentação de acusações criminais.
Na disputa interna republicana, Paxton derrotou o senador John Cornyn, que buscava a reeleição e contava com o apoio de setores tradicionais do partido. A vitória nas primárias ocorreu com o respaldo de Trump, apesar dos alertas de lideranças republicanas sobre os riscos eleitorais de sua candidatura.
Cornyn não declarou apoio a Paxton após a disputa interna, evidenciando as divisões dentro da legenda.
A eleição de Talarico amplia as dificuldades dos republicanos no Congresso e representa mais uma derrota para Trump nas eleições de meio de mandato.
O resultado no Texas também tem significado nacional por atingir um dos principais redutos eleitorais republicanos. A vitória democrata demonstra que a oposição conseguiu avançar em uma região onde o partido enfrentava dificuldades para conquistar cargos estaduais havia décadas.
Com a chegada de Talarico ao Senado, os democratas ampliam sua representação e fortalecem a articulação para controlar a Casa Legislativa durante os dois últimos anos do atual mandato presidencial.
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