
O médico Abdul El-Sayed (Partido Democrata-MI), de 42 anos, foi eleito senador pelo estado de Michigan e entrará para a história como o primeiro muçulmano a conquistar uma cadeira no Senado dos Estados Unidos. A vitória sobre o republicano Mike Rogers foi projetada pela Associated Press e pela CBS News após as eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3).
O resultado representa uma conquista importante para a ala progressista democrata e garante a permanência da cadeira no partido, após a aposentadoria do senador Gary Peters. A eleição também integra a onda de vitórias da oposição que levou os democratas ao controle das duas Casas do Congresso americano, impondo uma derrota histórica ao presidente Donald Trump.
Filho de imigrantes egípcios, El-Sayed nasceu em 1984, em Rochester Hills, Michigan. Médico formado pela Universidade Columbia e doutor em saúde pública pela Universidade de Oxford, ganhou projeção ao dirigir o Departamento de Saúde de Detroit. Em 2018, disputou as primárias democratas para o governo estadual, mas foi derrotado por Gretchen Whitmer, atual governadora.
Durante a campanha, El-Sayed adotou como principal slogan a proposta de retirar o dinheiro corporativo da política, aumentar a renda dos trabalhadores e garantir saúde pública universal, por meio do programa Medicare for All.
O futuro senador defende a taxação das grandes fortunas, o combate aos monopólios empresariais e maior regulamentação do capitalismo. Apesar de defender medidas econômicas consideradas de esquerda, ele rejeita o rótulo de socialista.
"Eu acredito no capitalismo, mas acredito que o capitalismo tem que ser regulado", afirmou em entrevista à CNN. O democrata também defende que bilionários contribuam mais com impostos para financiar serviços públicos, especialmente educação e saúde.
Entre suas propostas estão ainda mudanças no sistema de imigração, com a defesa da extinção do ICE, órgão responsável pela fiscalização migratória e pela aplicação das leis de imigração nos Estados Unidos.
Um dos pontos mais controversos de sua candidatura foi a posição sobre a guerra na Faixa de Gaza. El-Sayed acusa Israel de cometer genocídio contra os palestinos e se opõe ao envio de recursos militares americanos ao governo israelense.
O democrata afirma defender direitos iguais, dignidade e autodeterminação para israelenses e palestinos. Também argumenta que o dinheiro dos contribuintes americanos deveria ser destinado prioritariamente a hospitais, escolas e infraestrutura nos Estados Unidos, em vez de financiar operações militares no exterior.
As posições provocaram resistência entre setores do próprio Partido Democrata, especialmente grupos ligados ao lobby pró-Israel. O AIPAC, organização de defesa dos interesses de Israel nos Estados Unidos, investiu mais de US$ 30 milhões em ações contra sua candidatura durante a disputa interna.
El-Sayed também recebeu apoio de integrantes da ala progressista do partido, incluindo a deputada Alexandria Ocasio-Cortez. Sua candidatura, entretanto, foi alvo de ataques de Trump e de aliados republicanos, que o classificaram como um radical de esquerda.
A eleição foi marcada por divisões internas entre os democratas. Nas primárias de agosto, El-Sayed venceu a deputada Haley Stevens por uma margem inferior a um ponto percentual.
Nos últimos dias da campanha, Stevens surpreendeu ao declarar apoio a Mike Rogers, adversário republicano de El-Sayed. A decisão provocou insatisfação entre lideranças democratas e ampliou a tensão dentro da legenda.
Apesar das dificuldades, o médico conseguiu consolidar apoio entre diferentes segmentos do eleitorado e venceu em um estado considerado estratégico para a disputa pelo controle do Senado.
Com a posse prevista para janeiro de 2027, Abdul El-Sayed terá a oportunidade de transformar suas propostas em iniciativas legislativas e ampliar a representação muçulmana na política nacional americana.
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