
O presidente Lula da Silva (PT) prepara uma reformulação na equipe ministerial para o próximo mandato e pretende adotar um critério mais rigoroso na escolha dos partidos que terão espaço na Esplanada: o compromisso de apoiar as propostas do governo nas votações do Congresso Nacional.
A estratégia é ampliar a presença de legendas de centro e atrair nomes com projeção política e reconhecimento em diferentes áreas, mas sem repetir o modelo de uma base aliada que ocupa ministérios e, ao mesmo tempo, vota contra o Palácio do Planalto em pautas consideradas prioritárias.
Segundo informações da coluna de Neila Guimarães, do Metrópoles, as conversas já envolvem pelo menos 13 nomes. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, iniciou negociações para ampliar a participação da legenda no governo. Entre os nomes mencionados nas articulações estão o governador Eduardo Leite (PSD-RS) e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Uma das mudanças em avaliação envolve o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP), cotado para assumir o Ministério da Fazenda. A escolha seria uma tentativa de reforçar a sinalização de responsabilidade fiscal e melhorar a interlocução do governo com o mercado financeiro.
O atual ministro Fernando Haddad, por sua vez, aparece entre os nomes cotados para comandar o Ministério da Educação. Também são mencionados o senador Camilo Santana (PT-CE), para a Casa Civil, e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), para a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política com o Congresso.
Na Agricultura, o atual ministro Carlos Fávaro (PSD-MT) poderá permanecer no cargo. Rodrigo Pacheco também é citado como possível integrante do primeiro escalão, embora seu nome esteja envolvido em conversas sobre uma eventual indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A tentativa de Lula de indicar novamente o advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF também faz parte das articulações políticas. O nome foi rejeitado pelo Senado em abril, por 42 votos contrários e 34 favoráveis, em uma derrota inédita para uma indicação ao Supremo em mais de um século.
O presidente pretende reapresentar a indicação e espera que Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente do Senado, ajude a construir os votos necessários. A capacidade de articulação do senador poderá influenciar as negociações sobre sua permanência no comando da Casa em 2027.
A nova composição do Senado, com maior presença de parlamentares ligados à oposição, deve tornar as negociações mais difíceis para o governo. Por isso, a aprovação de Messias é vista como um teste importante da relação entre o Planalto e a cúpula do Legislativo.
Outra frente da reformulação envolve personalidades de fora da política tradicional. O promotor Lincoln Gakiya, conhecido pela atuação no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), aparece entre os cotados para uma eventual pasta da Segurança Pública. O cineasta Walter Salles também é mencionado para o Ministério da Cultura.
O deputado André Janones (Rede-MG) poderá integrar a estrutura de articulação do governo, com atuação voltada à comunicação digital e ao relacionamento com a Câmara dos Deputados.
A montagem da nova Esplanada deverá combinar representantes de partidos aliados, quadros técnicos e nomes de diferentes correntes políticas. A exigência de fidelidade, porém, é o principal recado de Lula aos partidos que desejam ocupar cargos no Executivo: a participação no governo deverá vir acompanhada de apoio efetivo à agenda do Planalto no Congresso.
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