
A disputa pela Presidência do Senado começou a movimentar os bastidores do Congresso Nacional. O senador Rogério Marinho (PL-RN) articula uma candidatura para enfrentar o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que pretende permanecer no comando do Legislativo por mais dois anos.
O cenário ganhou novos contornos após as eleições de outubro, que deram ao PL a maior bancada do Senado na próxima legislatura. A legenda terá 28 parlamentares, enquanto a oposição tenta reunir apoio de outras siglas para alcançar os 41 votos necessários à eleição do presidente da Casa.
O comando do Senado é considerado estratégico porque o presidente tem influência sobre a pauta de votações, a condução dos trabalhos e o funcionamento de comissões. Entre os assuntos que interessam à oposição estão propostas conservadoras e a possibilidade de avançar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tema defendido por setores bolsonaristas.
Marinho, líder da oposição, é um dos principais articuladores do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A candidatura também conta com o apoio de aliados de Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula na eleição presidencial. O PL deve formalizar sua posição em reunião prevista para 4 de novembro.
Davi Alcolumbre, que já presidiu o Senado entre 2019 e 2021 e voltou ao cargo em fevereiro de 2025, trabalha para construir uma base capaz de garantir sua permanência. Para isso, mantém conversas com partidos do Centrão e busca preservar o diálogo com o Palácio do Planalto.
O presidente do Senado tem sinalizado disposição para discutir pautas de interesse do governo Lula, entre elas a proposta de mudança na escala de trabalho 6x1 e a PEC da Segurança Pública. Ao mesmo tempo, procura manter interlocução com parlamentares da oposição e setores ligados ao bolsonarismo.
Outro tema que pode entrar nas negociações é a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e a situação jurídica de Jair Bolsonaro. A pauta divide o Congresso e pode influenciar as articulações em torno da sucessão no Senado.
Embora Marinho e Alcolumbre estejam no centro das articulações, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também aparece como possível candidata da oposição. A definição de um nome único será importante para evitar a divisão dos votos entre parlamentares contrários à recondução do atual presidente.
A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027, no início da próxima legislatura.
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