
A jurista sul-africana Navi Pillay, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026, demonstrou surpresa e bom humor ao receber a notícia de que havia conquistado a premiação. Sem acreditar inicialmente no anúncio, ela chegou a perguntar aos colegas se a informação era verdadeira. Em seguida, arrancou risos ao fazer uma brincadeira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Se vocês aplaudirem um pouco mais, talvez eu divida o prêmio com Trump”, disse Pillay, em meio aos aplausos. A cena foi registrada em vídeo por Agnès Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional, e divulgada na rede social X. A declaração também fez referência à expectativa de Trump de receber o Nobel da Paz.
A jurista soube da premiação durante um evento realizado em Nuremberg, na Alemanha, onde colegas a parabenizaram. Ainda surpresa, ela afirmou que chegou a pensar que tudo não passava de uma brincadeira, até ser informada de que o resultado já havia sido divulgado pela imprensa.
Durante seu discurso improvisado, Pillay também questionou a referência do Comitê Nobel à coragem necessária para defender a verdade. “Por que seria necessário coragem para dizer a verdade? Você interpreta a lei, analisa todos os fatos. Portanto, é uma tomada de decisão imparcial”, afirmou.
O Comitê Norueguês do Nobel anunciou a escolha de Pillay nesta sexta-feira (9), destacando sua contribuição para a promoção da paz, da justiça e do direito internacional. Aos 85 anos, a jurista construiu uma carreira marcada pela defesa de ativistas contra o apartheid na África do Sul e pela atuação em tribunais internacionais.
Ela presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda e foi alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014. Mais recentemente, liderou uma comissão de investigação da ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza, acusação rejeitada pelo governo israelense.
Ao comentar o prêmio, Pillay também ressaltou que seu trabalho em defesa dos direitos humanos continua. Antes de receber a notícia, ela havia apresentado um relatório sobre Gaza. A jurista permanece envolvida em atividades relacionadas à justiça internacional, incluindo o caso sobre acusações de genocídio contra Mianmar na Corte Internacional de Justiça.
A premiação será entregue em Oslo, na Noruega, em 10 de dezembro, data que marca o aniversário da morte de Alfred Nobel, criador do prêmio. O reconhecimento deste ano, segundo o Comitê Nobel, busca reafirmar a importância do direito internacional na prevenção de conflitos e na responsabilização por crimes graves.
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