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Estudantes do interior da Bahia desenvolvem sacolas de bioplástico feito com sisal - Foto: Ascom/SEC
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quinta-feira 30 de maio de 2024 às 12:30h

Entenda como o lixo no processo de fios de fibras se tornou lucrativo

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Não muito tempo atrás, era comum que os produtores baianos localizados no território do Sisal, no nordeste do estado, utilizassem os resíduos da planta conforme Larissa Almeida, do jornal Correio, para adubar o solo assim que o processamento da fibra nas máquinas era concluído. Contudo, nas últimas décadas, a possibilidade de usar o que era lixo para criar produtos novos começou a ser testada e, desde que ficou constatado que apenas 4% da fibra é realmente utilizada durante o beneficiamento, estudos e iniciativas novas que visam fortalecer a economia circular começaram a despontar no estado.

Gilvan Ferreira, pesquisador e especialista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), aponta que a busca por usos rentáveis dos resíduos sólidos do Sisal começou quando os produtores notaram que o gado se alimentava daquela matéria. Desde então, foi observada a necessidade de tratar esse alimento, já que as fibras se acumulavam no intestino e poderiam causar problemas ao animal. Os produtores passaram, assim, a retirar a umidade dos resíduos da fibra.

“Foi feito feno desse material e também misturas com farelo de milho, soja, algodão ou outras leguminosas. Então, gerou uma alimentação muito rica para o gado. Tem gente em Conceição do Coité, inclusive, que já está vendendo ração. A coisa chegou a um ponto tal que a pessoa faz esse sistema e tem uma máquina que faz briquete, que seria a ração em pequenos granulados, e coloca ela para vender no mercado, e com boa resposta para a produção de leite e produção de carne também do animal”, relata Gilvan.

A ração produzida a partir do resíduo da fibra do Sisal pode ser armazenada por mais de 180 dias e é possível fornecer entre 12 e 20 quilos desse alimento para o gado. O alimento pode ocasionar o ganho de 200 a 300 gramas de peso por dia em caprinos e bovinos.

Ainda é possível fazer uso do suco do Sisal, que corresponde a 80% dos resíduos da planta. Atualmente, a Embrapa tem duas patentes de combate do Aedes Aegypti e outros insetos, que é através de inseticida que usa o suco. Outro uso do líquido foi observado pelos próprios produtores, que notaram que, quando tirado, separado, diluído e aplicado, o suco reduzia em 70% os carrapatos do gado.

Para Gilvan Ferreira, é possível que em breve os produtos feitos a partir do lixo do processo de fios de fibras até mesmo supere em renda o valor arrecadado pelo produto principal. “Nós acreditamos que no futuro breve o uso do suco de Sisal para produzir em inseticidas e fármacos, além de alimento, gera um ganho de valor muito grande nesse bioproduto e é possível que no futuro ele até supere o valor da fibra. Sem dúvida, vai gerar mais emprego, porque o produtor vai precisar colocar pessoas para se dedicarem a separar o suco do Sisal e a separar também esse material para fazer o feno ou a silagem. Então, eu creio que a região deve melhorar muito nessa área daqui para frente”, finaliza.

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