Segundo Elio Gaspari, da Folha de S. Paulo, quando o presidente ucraniano Volodimir Zelenski disse à repórter Patrícia Campos Mello que “Lula quer ser original e nós devemos dar essa oportunidade a ele”, havia veneno na ponta da ironia.
Noves fora suas posições em relação à Ucrânia e ao governo da Venezuela, em apenas cinco meses, Lula já propôs ao mundo as seguintes mudanças:
A criação de uma governança mundial para a questão ambiental.
A criação de uma moeda comum para a América do Sul.
Insistiu numa reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, criando assentos permanentes para a África, mais a América do Sul e o Caribe.
Madame Natasha
Natasha vota em Lula sempre que ele se candidata e emudece a televisão sempre que ele começa a falar.
Lendo os jornais, viu que ele incorporou a palavra “narrativa” à sua retórica. Usou-a para mimosear o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Para Lula, as malfeitorias do regime chavista compõem uma narrativa de adversários. A senhora viu que Lula tomou um contravapor vindo dos presidentes do Uruguai, de um lado, e do Chile, de outro, mas seu cuidado restringe-se ao uso do idioma.
Tudo o que é contado é narrado. Se um sujeito diz que viu um disco voador na esquina, está fazendo uma narrativa. Na narrativa de Jair Bolsonaro, o vírus da Covid podia ser chinês e a vacina poderia ser prejudicial à saúde. Ainda assim, Bolsonaro teve 58 milhões de votos, contra 60 milhões dados a Lula.
Pela narrativa alemã, no dia 30 de agosto de 1939, tropas polonesas tomaram uma rádio alemã da fronteira. A Polônia havia invadido a Alemanha. Essa narrativa foi contada por Hitler e repetida em Moscou pelo jornal Pravda. Em Roma, o Papa Pio 12 evitou abençoar a Polônia
Nos dias seguintes, começou a Segunda Guerra. O Duque de Westminster, um dos homens mais ricos da Inglaterra, culpava os judeus.
Tudo narrativa, diz Elio Gaspari, da Folha.