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Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) depois de prestar depoimento à Polícia Federal em Brasília - Sergio Lima-14.abr.2023/AFP
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segunda-feira 13 de maio de 2024 às 04:57h

Tática para lidar com Bolsonaro e polarização divide lideranças do PT

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Antes alinhados nos ataques diretos a Jair Bolsonaro (PL), o presidente Lula da Silva (PT) e a direção do PT seguem agora estratégias distintas de atuação política. Enquanto o partido reforça comparações e dá preferência ao enfrentamento, o presidente busca destacar outros assuntos e evitar a polarização. O objetivo é dar visibilidade aos resultados da gestão.

Em outros mandatos de Lula, o PT desempenhou um papel diferente do governo, normalmente atuando para pressionar o Executivo e, assim, forçar uma inflexão à esquerda.

O atual descompasso, no entanto, se dá em um cenário marcado pela incerteza. Para receber dividendos eleitorais, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, continua a acreditar no embate como arma política. Mas isso não é unanimidade entre os colegas de legenda. Já Lula, neste momento, foi aconselhado por auxiliares e passou a não citar o ex-presidente. A diretriz, contudo, ainda não é considerada definitiva.

De acordo com aliados, Lula nunca baixou uma determinação ou se comprometeu a parar com os ataques a Bolsonaro. A mudança de postura veio depois dos resultados ruins registrados na rodada de março das pesquisas de avaliação do governo. O presidente, então, se mostrou sensível ao tema e concluiu que deveria dar mais ênfase às ações do governo, aconselhado por auxiliares.

Entre o dia 18 de março, quando chamou Bolsonaro de “covardão” na abertura da primeira reunião ministerial do ano, e a semana passada, Lula não fez referências diretas ao adversário. No dia 30, contudo, em entrevista à imprensa japonesa, o petista disse que “esse cidadão tentou dar um golpe no país em 8 de janeiro (de 2023)”.

Mesmo no período em que Lula deixou de falar de Bolsonaro, Gleisi, que foi coordenadora da campanha presidencial do petista em 2022, continuou com ofensiva contra o ex-presidente nas redes sociais.

Nesta semana, ao comentar no X (ex-Twitter) o lançamento da nova fase do PAC Seleções, a dirigente do partido afirmou: “Esse dado apresentado hoje no lançamento da nova fase do PAC mostra o descaso do governo Bolsonaro com a prevenção de riscos naturais. A última seleção de municípios para investimentos federais foi feita em 2013 para aplicação em 2014 e 2015. Bolsonaro não colocou um centavo para isso.”

Só no último mês, Gleisi fez oito publicações com menções diretas a Bolsonaro no X. A petista, entre outros ataques, disse nas postagens que o ex-presidente tentou destruir o programa Mais Médicos e que ele ficou inelegível porque “violou a lei”.

Visões distintas

A presidente do PT avalia que está em curso “quase uma guerra com a extrema direita” e que, por isso, é necessário reagir.

— Se ficarmos quietos, a extrema direita vem para cima e vai ganhar terreno. Se nos calarmos, quem vai fazer o embate? Não vai ser a direita. Prefiro o enfrentamento — disse Gleisi, em fevereiro deste ano, em entrevista ao jornal O Globo

A posição é diferente da defendida, por exemplo, pelo prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva, nome preferido de Lula para substituir Gleisi no comando do PT a partir do ano que vem. Em entrevista ao jornal em abril, Edinho, um interlocutor frequente do presidente, disse que é preciso “fazer um esforço grande para baixar um pouco a temperatura da polarização”. Na própria entrevista, contudo, o prefeito destacou que “fica nítido que não há um consenso em relação a isso, talvez por leituras diferentes da conjuntura de segmentos do PT e do governo”.

Indagado se divergia de Gleisi nos debates internos sobre o assunto, Edinho afirmou que ela estava correta na análise de que a polarização é inevitável, mas destacou que vê espaço “para que a gente diminua esse ambiente de disputa e consiga mostrar o que o presidente Lula tem feito”.

Além dos ataques de Gleisi a Bolsonaro, ações de ministros, em alguns casos, contribuem para manter acesa a polarização. Nesta semana, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, enviou um ofício ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, listando onze postagens em redes sociais de políticos bolsonaristas e influenciadores relacionadas às chuvas no Rio Grande do Sul, que estariam disseminando notícias falsas. O próprio Lula, em entrevista a rádios, provocou:

— Eu lembro quando teve a cheia na Bahia, em 2022. Eu lembro que o presidente da República estava passeando em um jet ski em Fernando de Noronha e não se preocupou.

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