sexta-feira 19 de julho de 2024
Leonardo Resende, o novo presidente da Juventude Nacional do MDB - Foto: MDB/Divulgação
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quinta-feira 18 de janeiro de 2024 às 16:12h

Novo presidente do MDB Jovem foi condenado pelo TCU por suposto superfaturamento no governo Temer, diz jornal

JUSTIÇA, NOTÍCIAS


No fim deste mês, um jovem advogado de Brasília passará a comandar a Juventude Nacional do MDB. Leonardo Resende, 30 anos, trabalha como assessor do deputado federal pela Bahia, Ricardo Maia (MDB) e, este ano, poderá segundo André Shalders, do jornal O Estado de S. Paulo, desempenhar um papel importante nas eleições municipais, comandando parte do fundo eleitoral da sigla. Na gestão Michel Temer (MDB), Resende trabalhou na Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), mas a experiência não terminou bem: ele e outros ex-colegas foram condenados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por suposto superfaturamento e “pagamentos por serviços desnecessários” num contrato de R$ 7,5 milhões.

Ele negou ao Estadão irregularidades e disse acreditar que será eximido de responsabilidades pelo TCU. Atualmente, ele recorre da decisão no próprio tribunal.

O processo no TCU diz respeito a um contrato da antiga Secretaria Nacional da Juventude com uma empresa de pequeno porte de Recife (PE), a Linkcon LTDA. Em 2018, a empresa foi contratada pela SNJ, sem licitação, para criar as soluções de tecnologia para o programa Identidade Jovem – uma espécie de “carteirinha” que dá acesso a meia entrada em eventos para jovens de baixa renda. Estimado em cerca de R$ 7,5 milhões, o contrato 01/2018 resultou em pagamentos “em duplicidade” e “por serviços desnecessários”, e “atividades não previstas no contrato”.

Mesmo sem ter experiência na área de informática, Leonardo Resende participou da equipe de planejamento de contratação (EPC), e, depois, foi designado como fiscal do contrato com a empresa de Recife. O caso foi julgado pelo TCU no fim de junho passado, por meio de uma Tomada de Contas Especial (TCE) relatada pelo ministro Jorge Oliveira. A TCE é um tipo de processo administrativo, usado para apurar as responsabilidades quando há dano à administração. Segundo a Corte, trata-se de uma medida excepcional, usada em último caso.

Ao fim do processo, Leonardo foi “citado por indícios de danos ao erário que atingiram o valor de R$ 883.863,05″, em valores atualizados até junho de 2020. O acórdão explica que “a irregularidade cometida pelo Sr. Leonardo refere-se à aceitação de serviços não previstos no Contrato 1/2018″, como serviços de suporte técnico. Ao fim, o TCU multou o novo chefe da Juventude do MDB – uma das multas é de R$ 60 mil. Leonardo disse ter recorrido dentro do próprio TCU. O acórdão está com os efeitos suspensos por decisão do ministro Aroldo Cedraz, que analisará o recurso.

“Nós vamos tirar tudo (todas as multas). Hoje, já está em R$ 200 (mil). Estamos só esperando finalizar”, diz ele. Leonardo também nega ter autorizado serviços fora do contrato. “Não procede. Tudo foi feito com a aprovação da equipe técnica da Presidência da República. Eu não fazia nada sem a aprovação técnica de lá”. “Mas nunca fiz nada sem a aprovação da Ditec (Diretoria de Tecnologia) da Presidência da República. Isso para mim já é até um fato vencido”, diz.

Além de Leonardo, outros multados no mesmo acórdão do TCU também assumiram cargos na estrutura do partido, como o ex-secretário da SNJ Francisco de Assis Costa Filho, o Assis Filho. Hoje ele é vice-presidente do Conselho da Fundação Ulysses Guimarães, o “think-tank” do MDB.

Na eleição para o comando da Juventude do MDB, Leonardo Resende encabeçou a única chapa inscrita. Teve o apoio da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e de outros nomes importantes do partido. Recentemente, o presidente nacional do MDB, o deputado Baleia Rossi (SP), prometeu deixar 1% do fundo eleitoral da sigla sob os cuidados de Resende, que deverá aplicar a verba nas campanhas de candidatos jovens do partido.

Procurado, Rossi não retornou os contatos da reportagem, diz o jornal. O MDB terá uma das maiores fatias do fundo eleitoral este ano, que será de quase R$ 5 bilhões (R$ 4,9 bi). O partido elegeu a 6ª maior bancada na Câmara dos Deputados em 2022, com 42 federais eleitos – a fatia de cada legenda no Fundo Eleitoral é calculada em função da votação para a Câmara.

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