
A Bolsa de Valores brasileira acionou o mecanismo de circuit breaker na manhã desta segunda-feira (26), suspendendo as negociações por 30 minutos após uma forte queda do mercado financeiro, no primeiro pregão depois da reeleição do presidente Lula da Silva (PT). A reação ocorreu após a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
A interrupção foi acionada às 9h57, quando a queda do Ibovespa atingiu o limite previsto pelas regras da B3. Foi a primeira vez que o mecanismo foi utilizado desde março de 2020, durante a crise provocada pela pandemia de Covid-19. No mercado internacional, os ativos brasileiros já registravam perdas expressivas antes da abertura do pregão doméstico.
O dólar também disparou. Por volta das 9h30, a moeda norte-americana era negociada a cerca de R$ 5,60, uma alta superior a 12% em relação ao fechamento de sexta-feira (23), quando terminou cotada a aproximadamente R$ 4,99. Os contratos futuros do Ibovespa chegaram a registrar quedas próximas de 15% antes da abertura regular do mercado à vista.
O circuit breaker é um mecanismo utilizado para conter movimentos extremos de queda na Bolsa. Quando o Ibovespa recua 10% em relação ao fechamento anterior, as negociações são interrompidas por 30 minutos. Se, após a retomada, a queda atingir 15%, pode ocorrer uma nova suspensão, desta vez por uma hora. Em caso de recuo de 20%, a B3 pode determinar uma nova interrupção.
A forte queda desta segunda-feira reverte parte da valorização registrada depois do primeiro turno, em 4 de outubro, quando Flávio terminou à frente de Lula. Na sessão seguinte àquela votação, o Ibovespa subiu 7,70%, enquanto o dólar recuou 4,11%, refletindo as expectativas dos investidores sobre uma possível mudança no comando do governo federal.
Agora, a preocupação dos agentes financeiros se concentra na política fiscal, no controle das despesas públicas e na trajetória da dívida. Investidores também acompanham a escolha do ministro da Fazenda e os sinais que o próximo governo dará sobre o Orçamento e as contas públicas.
Um levantamento do Citibank com 73 gestores de fundos de ações e multimercado, divulgado antes do segundo turno, mostrou que 80% dos entrevistados esperavam uma queda superior a 5% do Ibovespa em caso de vitória de Lula. No câmbio, 63% projetavam desvalorização superior a 5% para o real.
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