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MPT pede suspensão de uniformes com número 22 em supermercados Rede Mix na Bahia

Ministério Público do Trabalho aponta suspeita de assédio eleitoral e solicita multa diária de pelo menos R$ 50 mil por obrigação descumprida; empresa afirma que a numeração celebra seus 22 anos de atividade.

23/10/2026 às 18h00
Por: Redação #Acesse Política
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Supermercados Rede Mix, na Bahia, foi processado pelo MPT — Foto: Divulgação/Rede Mix, Reprodução/Instagram João Cavalcanti
Supermercados Rede Mix, na Bahia, foi processado pelo MPT — Foto: Divulgação/Rede Mix, Reprodução/Instagram João Cavalcanti

O Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT-BA) acionou a Justiça do Trabalho para suspender o uso de uniformes com o número 22 por funcionários da rede de supermercados Rede Mix. O órgão aponta suspeita de assédio eleitoral durante a campanha presidencial de 2026 e pede que a empresa substitua as camisetas por roupas neutras até o fim do período eleitoral, sob pena de multa diária de pelo menos R$ 50 mil por obrigação descumprida.

Segundo o MPT, a investigação começou após denúncias de que empregados estariam sendo obrigados a usar as camisas durante o expediente. O órgão afirma ter recebido fotografias e outros relatos sobre trabalhadores utilizando as peças diante de colegas, clientes e do público.

A procuradora do Trabalho Manuella Gedeon, responsável pela ação, afirmou que a campanha de aniversário da rede foi intensificada durante o período eleitoral. Para o Ministério Público, a coincidência entre o número estampado nos uniformes e o de um candidato à Presidência pode constranger os funcionários ou influenciar suas convicções políticas.

MPT afirma que recomendação não foi suficiente

Antes de recorrer à Justiça, o órgão havia recomendado que a empresa interrompesse práticas que pudessem configurar assédio eleitoral e revisasse campanhas promocionais com referências passíveis de interpretação política. De acordo com o MPT, uma fiscalização posterior constatou que os funcionários continuavam usando as camisetas.

Além da suspensão dos uniformes, o Ministério Público solicita que a Rede Mix divulgue um comunicado interno garantindo aos trabalhadores a liberdade de orientação política e o direito ao voto livre e secreto. Também pede medidas para assegurar que funcionários escalados para trabalhar no domingo (25) tenham tempo suficiente para votar. 

Empresa afirma que número celebra aniversário da rede

A polêmica ganhou repercussão nas redes sociais após os artistas João Cavalcanti e Marcelo Caldi publicarem um vídeo em que questionam o uso das camisetas em uma unidade da rede em Salvador. Os músicos demonstraram preocupação com a possibilidade de constrangimento dos trabalhadores, sem afirmar que a empresa tenha adotado a numeração com finalidade eleitoral. 

Em nota, a Rede Mix afirmou que o número 22 nas camisetas faz referência aos 22 anos de atividade da empresa. Segundo a rede, a campanha de aniversário é realizada anualmente entre o fim de setembro e novembro, como parte de uma prática institucional adotada em anos anteriores.

A empresa também informou ter apresentado documentos ao MPT sobre campanhas comemorativas anteriores. Até a divulgação das informações, a Rede Mix declarou que ainda não havia sido notificada sobre o processo judicial.

A suspeita de assédio eleitoral ainda será analisada pela Justiça do Trabalho. O pedido de liminar busca interromper imediatamente a prática apontada pelo Ministério Público, mas não representa uma decisão definitiva sobre o caso.

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