
As últimas pesquisas da Quaest e do Datafolha sobre o segundo turno presidencial provocaram questionamentos nas redes sociais a respeito dos critérios metodológicos adotados pelos institutos. Os debates envolvem o aumento de eleitores indecisos na pesquisa espontânea da Quaest e o arredondamento dos votos válidos divulgado pelo Datafolha na disputa entre o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na pesquisa divulgada em 21 de outubro, a Quaest registrou 14% de indecisos na modalidade espontânea, o dobro dos 7% observados na semana anterior. Nesse formato, os entrevistados respondem em quem pretendem votar sem receber uma lista de candidatos. No cenário estimulado, Flávio tinha 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula, resultado considerado empate técnico diante da margem de erro de dois pontos percentuais.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, atribuiu o crescimento da indecisão ao descontentamento de parte do eleitorado com os candidatos, os ataques durante a campanha e o nível do debate presidencial realizado pela Band em 18 de outubro. Segundo ele, mais eleitores passaram a evitar declarar preferência na pesquisa espontânea.
O instituto também analisou o comportamento de pessoas que não compareceram às urnas no primeiro turno ou votaram em branco ou nulo, grupo tratado na apresentação como parte da chamada alienação eleitoral. Nunes afirmou que esse segmento influenciava o equilíbrio observado entre os candidatos e indicou que a metodologia de eleitor provável, conhecida como likely voter, poderia alterar os resultados ao considerar a possibilidade de comparecimento às urnas.
A inclusão desse grupo e a forma de estimar quem efetivamente votará foram debatidas nas redes sociais. A análise, porém, depende dos critérios metodológicos utilizados e não comprova, por si só, favorecimento a qualquer candidatura.
No levantamento divulgado em 22 de outubro, o Datafolha apresentou Flávio com 47% das intenções de voto na pesquisa estimulada, ante 46% de Lula. Ao converter os números para votos válidos, o instituto divulgou 50% para cada candidato, o que gerou críticas de usuários que defenderam que o senador deveria aparecer numericamente à frente.
A diretora-geral do Datafolha, Luciana Chong, explicou que o instituto divulga percentuais arredondados, sem casas decimais. Segundo ela, o resultado de 50% a 50% pode corresponder a valores diferentes antes do arredondamento.
Posteriormente, a Folha de S.Paulo informou que os percentuais exatos dos votos válidos eram de 50,47% para Flávio e 49,53% para Lula. A diferença é de 0,94 ponto percentual, mas desaparece na divulgação em números inteiros, resultando em 50% para cada candidato.
Parte das críticas nas redes sociais utilizou os percentuais arredondados dos votos totais para calcular os votos válidos. Esse procedimento pode produzir resultado diferente daquele obtido a partir dos números originais, com casas decimais, utilizados pelo instituto.
Quaest e Datafolha têm novas pesquisas previstas para este sábado (24), véspera do segundo turno presidencial marcado para domingo (25). Os levantamentos finais devem atualizar o cenário da disputa, mas os resultados precisam ser interpretados considerando as margens de erro, os períodos de coleta e as metodologias de cada instituto.
As pesquisas eleitorais representam um retrato das intenções de voto no período em que as entrevistas são realizadas. Elas não determinam o resultado das urnas nem constituem, isoladamente, prova de manipulação ou favorecimento político.
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