
O primeiro debate do segundo turno presidencial, realizado pela Band no domingo (18), colocou as terras raras, os minerais críticos e o futuro das empresas estatais entre os temas de confronto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O encontro foi marcado por acusações sobre a política energética e a relação do Brasil com os Estados Unidos, sem aprofundamento de propostas específicas para o setor.
Durante o debate, Lula questionou se Flávio pretende permitir que os Estados Unidos tenham acesso privilegiado às terras raras e a outros minerais críticos brasileiros. O presidente relacionou a pergunta à aproximação do senador com o governo norte-americano.
Flávio classificou a acusação como fake news e afirmou que esteve nos Estados Unidos para defender empresas e produtos brasileiros diante das tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump.
Em março, durante uma conferência conservadora nos Estados Unidos, o senador havia apresentado o Brasil como alternativa para reduzir a dependência norte-americana da China no fornecimento de minerais críticos. O tema é estratégico porque esses recursos são utilizados na fabricação de baterias, equipamentos eletrônicos e tecnologias industriais.
Nas considerações finais do debate, Lula acusou o adversário de pretender privatizar a Petrobras. O presidente também criticou a venda da BR Distribuidora e a privatização da Eletrobras, afirmando que os ativos foram negociados por valores baixos.
A campanha de Flávio, por sua vez, nega que pretenda privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal. Adolfo Sachsida, coordenador econômico do senador, afirmou publicamente que essas empresas serão mantidas em um eventual governo.
A posição atual da campanha contrasta com uma declaração anterior do próprio Flávio. Em entrevista à Reuters, em dezembro de 2025, o senador defendeu um governo mais enxuto e a retomada de privatizações, citando a possibilidade de vender ativos dos Correios e partes da Petrobras.
Além das terras raras e das estatais, Lula mencionou a instalação de centros de processamento de dados no Brasil e defendeu medidas para conter os preços do diesel e da gasolina em meio a conflitos internacionais.
O debate, no entanto, não avançou para uma discussão detalhada sobre políticas para o setor energético. A maior parte do confronto ficou concentrada em acusações sobre as intenções dos candidatos, a política externa e o destino de empresas estratégicas.
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