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Votos concentrados em puxadores deixam PSOL fora da cláusula de barreira e ameaçam financiamento

Mesmo com votações expressivas de Erika Hilton e Sâmia Bomfim, federação PSOL/Rede não atingiu a exigência em nove estados e ficou a 185 votos do mínimo no Espírito Santo. Partido recorre à Justiça Eleitoral.

12/10/2026 às 13h49
Por: Redação #Acesse Política
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Deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A concentração de votos em candidatos conhecidos não foi suficiente para garantir ao PSOL acesso aos recursos públicos e à propaganda partidária gratuita a partir de 2027. Apesar do desempenho expressivo de nomes como Erika Hilton (PSOL-SP) e Sâmia Bomfim, a federação formada com a Rede Sustentabilidade não cumpriu a cláusula de barreira nas eleições de 2026.

Segundo levantamentos publicados pelo Estadão, UOL e Metrópoles, a federação alcançou o percentual mínimo nacional de votos válidos para deputado federal, mas não atingiu o patamar exigido em nove unidades da Federação. No Espírito Santo, ficou a apenas 185 votos do mínimo necessário para cumprir o critério territorial. 

Votação expressiva não se converteu em mais cadeiras

Em São Paulo, Erika Hilton recebeu mais de 1,5 milhão de votos, enquanto Sâmia Bomfim também teve votação expressiva. Ainda assim, a distribuição dos votos entre os demais candidatos não foi suficiente para transformar todo o potencial eleitoral da legenda em mais representantes na Câmara dos Deputados.

O cenário contrasta com o desempenho do PL, que conseguiu eleger candidatos com votação individual menor em estados onde a legenda contou com uma base mais distribuída. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que a organização partidária, a distribuição dos recursos de campanha e a presença de lideranças locais influenciam o resultado das eleições proporcionais. 

O que é a cláusula de barreira

Para superar a regra em 2026, partidos ou federações precisam obter pelo menos 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, com no mínimo 1,5% em pelo menos nove estados, ou eleger ao menos 13 deputados federais distribuídos por nove unidades da Federação.

A federação PSOL/Rede elegeu 15 deputados, mas os mandatos ficaram concentrados em apenas seis estados. Por isso, o número total de parlamentares não foi suficiente para cumprir o segundo critério. A consequência prevista é a perda de acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de propaganda partidária, sem afetar os mandatos conquistados nas urnas. 

PSOL tenta reverter resultado na Justiça

A federação contesta o resultado e busca uma solução na Justiça Eleitoral. Uma das possibilidades é a retotalização dos votos no Espírito Santo, onde a diferença de 185 votos pode ser decisiva para o cumprimento da exigência territorial. A mudança, porém, depende da análise da Justiça e não está garantida.

O episódio também reacende o debate interno sobre a estratégia eleitoral do PSOL, incluindo a concentração de recursos em candidaturas de grande visibilidade e a possibilidade de ampliar alianças com outras siglas. Uma federação com o PT, o PCdoB e o PV poderia alterar a distribuição de cadeiras em determinados estados, mas a proposta foi rejeitada anteriormente pela direção do partido, que optou por manter sua aliança com a Rede.

Com o resultado, o PSOL enfrenta o desafio de reorganizar sua estratégia e preservar sua estrutura partidária, enquanto aguarda a análise judicial sobre a cláusula de barreira.

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