
A concentração de votos em candidatos conhecidos não foi suficiente para garantir ao PSOL acesso aos recursos públicos e à propaganda partidária gratuita a partir de 2027. Apesar do desempenho expressivo de nomes como Erika Hilton (PSOL-SP) e Sâmia Bomfim, a federação formada com a Rede Sustentabilidade não cumpriu a cláusula de barreira nas eleições de 2026.
Segundo levantamentos publicados pelo Estadão, UOL e Metrópoles, a federação alcançou o percentual mínimo nacional de votos válidos para deputado federal, mas não atingiu o patamar exigido em nove unidades da Federação. No Espírito Santo, ficou a apenas 185 votos do mínimo necessário para cumprir o critério territorial.
Em São Paulo, Erika Hilton recebeu mais de 1,5 milhão de votos, enquanto Sâmia Bomfim também teve votação expressiva. Ainda assim, a distribuição dos votos entre os demais candidatos não foi suficiente para transformar todo o potencial eleitoral da legenda em mais representantes na Câmara dos Deputados.
O cenário contrasta com o desempenho do PL, que conseguiu eleger candidatos com votação individual menor em estados onde a legenda contou com uma base mais distribuída. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que a organização partidária, a distribuição dos recursos de campanha e a presença de lideranças locais influenciam o resultado das eleições proporcionais.
Para superar a regra em 2026, partidos ou federações precisam obter pelo menos 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, com no mínimo 1,5% em pelo menos nove estados, ou eleger ao menos 13 deputados federais distribuídos por nove unidades da Federação.
A federação PSOL/Rede elegeu 15 deputados, mas os mandatos ficaram concentrados em apenas seis estados. Por isso, o número total de parlamentares não foi suficiente para cumprir o segundo critério. A consequência prevista é a perda de acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de propaganda partidária, sem afetar os mandatos conquistados nas urnas.
A federação contesta o resultado e busca uma solução na Justiça Eleitoral. Uma das possibilidades é a retotalização dos votos no Espírito Santo, onde a diferença de 185 votos pode ser decisiva para o cumprimento da exigência territorial. A mudança, porém, depende da análise da Justiça e não está garantida.
O episódio também reacende o debate interno sobre a estratégia eleitoral do PSOL, incluindo a concentração de recursos em candidaturas de grande visibilidade e a possibilidade de ampliar alianças com outras siglas. Uma federação com o PT, o PCdoB e o PV poderia alterar a distribuição de cadeiras em determinados estados, mas a proposta foi rejeitada anteriormente pela direção do partido, que optou por manter sua aliança com a Rede.
Com o resultado, o PSOL enfrenta o desafio de reorganizar sua estratégia e preservar sua estrutura partidária, enquanto aguarda a análise judicial sobre a cláusula de barreira.
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