
A governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), afirmou que não pretende declarar apoio a nenhum dos candidatos à Presidência no segundo turno e voltou a criticar os métodos utilizados durante a campanha eleitoral. Em entrevista à Coluna do Estadão, ela disse ter sido alvo de ataques pessoais e defendeu regras mais claras para o funcionamento das redes sociais.
A posição de Raquel contrasta com a movimentação de parte de seu partido no cenário nacional. Embora a direção do PSD tenha anunciado neutralidade institucional e liberado seus filiados para escolherem entre Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), lideranças de diferentes regiões têm manifestado inclinação pelo candidato do PL. O ex-governador Ronaldo Caiado, que disputou o primeiro turno pelo PSD, também declarou apoio a Flávio.
Na entrevista, Raquel afirmou que sofreu ataques contra sua honra e sua família durante a disputa em Pernambuco. Segundo ela, foram identificados mais de mil robôs que teriam atuado em ações contra sua candidatura, além de grupos que classificou como gabinetes de ódio.
A governadora defendeu a regulamentação das redes sociais e afirmou que a legislação precisa oferecer respostas mais rápidas a possíveis abusos durante as eleições. Segundo Raquel, a campanha foi marcada pela divulgação de vídeos descontextualizados e por tentativas de desconstrução de sua trajetória política.
“Não vale tudo na política”, declarou. Ela também cobrou maior clareza sobre as atribuições das instituições brasileiras, citando o Congresso Nacional, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Supremo Tribunal Federal (STF), os tribunais de Justiça e os tribunais de Contas.
Sobre a disputa presidencial, a governadora reafirmou que pretende manter uma relação institucional com o governo federal, independentemente do resultado. Ela agradeceu a Lula pela parceria administrativa e pelos investimentos em Pernambuco, mas ressaltou que continuará priorizando os interesses do estado.
Entre as demandas que pretende levar a Brasília estão projetos relacionados ao metrô do Recife e à Transnordestina. Raquel afirmou que não pretende fechar portas para o próximo governo e defendeu uma relação de cooperação entre as diferentes esferas administrativas.
A governadora também disse que o país precisa concentrar o debate eleitoral em propostas para o futuro, no crescimento econômico sustentável e no fortalecimento da democracia.
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