
Um levantamento publicado pelo jornal Estadão identificou que 25 dos 49 senadores que defendem o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já foram alvo de investigações, ações penais ou medidas investigativas autorizadas pela própria Corte. O grupo reúne parlamentares em exercício e eleitos para a próxima legislatura.
Entre os 31 senadores eleitos em 2026 que defenderam publicamente o afastamento de ao menos um ministro, 18 têm histórico de procedimentos judiciais no Supremo. O levantamento inclui casos arquivados, absolvições e investigações posteriormente encaminhadas a outras instâncias, o que não significa que os parlamentares tenham cometido irregularidades.
Entre os nomes citados estão Carlos Jordy (PL-RJ), alvo de operações da Polícia Federal em 2024 e 2025, e Gustavo Gayer (PL-GO), investigado por suspeitas relacionadas ao uso de recursos da cota parlamentar. Ambos negaram irregularidades.
Também aparecem na lista as senadoras Bia Kicis (PL-DF) e Caroline de Toni (PL-SC), que tiveram sigilos bancários quebrados em 2020, no âmbito de uma investigação sobre atos antidemocráticos posteriormente arquivada a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O levantamento inclui ainda o ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil-MT), que foi alvo de medidas judiciais em uma investigação sobre suspeitas de desvio de recursos públicos. Ele negou irregularidades.
A bancada defende que o Senado exerça sua atribuição constitucional de processar e julgar ministros do STF por eventuais crimes de responsabilidade. Críticos da iniciativa alertam, por outro lado, para o risco de que pedidos de impeachment sejam utilizados como forma de pressão sobre decisões judiciais.
Apesar do crescimento do grupo após as eleições de outubro, os 49 parlamentares ainda não alcançam os 54 votos necessários para aprovar o afastamento de um ministro, equivalente a dois terços das 81 cadeiras do Senado.
O debate deve ganhar força a partir de 2027, quando os novos senadores assumirem os mandatos. Além dos pedidos de impeachment, parlamentares também discutem propostas de alteração das competências do Supremo e das regras de funcionamento do Judiciário.
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