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quinta-feira 23 de maio de 2024 às 12:31h

Morte de Raisi não encerra repressão em curso no Irã

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Com leis misóginas e execuções em massa, presidente Ebrahim Raisi teve papel central na implementação do sistema brutal dos aiatolás. Seu legado se mantém: até mesmo o funeral é pretexto para intimidações e prisões. ”Ele morreu a serviço de seu país, como um mártir”, declarou o líder religioso e político do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em memória do presidente Ebrahim Raisi. Sua morte, na queda de um helicóptero, em 19 de maio de 2024, juntamente com seu ministro do Exterior, Hussein Amirabdollahian e seis outros tripulantes, veio um ano antes do fim de seu primeiro mandato.

A mídia estatal divulgou fotos e vídeos do funeral, com o fim de mostrar quão querido era o chefe de Estado de 63 anos. Segundo a TV nacional, milhões acorreram à capital Teerã para a cerimônia.

“Num país em que não há urnas de verdade para eleições livres, vocês são obrigados a buscar legitimidade com multidões ao pé de caixões”, comentou na plataforma X o jornalista iraniano Javad Akbarin, que vive exilado em Paris, enfatizando que o direito de reunião nas ruas não é garantido para todos os cidadãos.

De fato: “Será punido todo tipo de ação de protesto que ameace a segurança nacional e as emoções da população em luto”, advertiu o Ministério da Justiça iraniano num comunicado divulgado logo após confirmada a morte do presidente.

O caso da jornalista Manizheh Moazen ilustra o que isso significa: na prisão desde novembro de 2023 por causa de sua atividade profissional, após a morte de Raisi ela voltou a postar um tuíte em que lembrava o papel dele na execução em massa de presos políticos na década de 1980. Por isso, “agora a Justiça abriu um processo contra mim”, relata.

“Raisi nunca se arrependeu de seus atos”, confirma a escritora e ativista Shadi Amin, que, a partir da Alemanha, se engaja pelos direitos LGBTQIA+ e de outras minorias no Irã. “Durante mais de 40 anos, Raisi desempenhou um papel importante na implementação da política da República Islâmica, sobretudo na repressão da população civil.”

“Lamento as manifestações de pesar do Ocidente”

Antes de assumir a presidência, a atividade profissional de Ebrahim Raisi se concentrou no sistema judiciário. Logo após a revolução de 1979, o jovem clérigo entrou para o serviço da recém-fundada República Islâmica, e aos 20 anos já dava partida a uma carreira meteórica. Entre outras funções, integrou o “comitê da morte” responsável pela morte de milhares de presos políticos.

Já juiz, em 2019 foi nomeado por Khamenei diretor do Departamento de Justiça. Numa entrevista após vencer as eleições em 2021, Raisi justificou essa chacina: “Quando um juiz ou promotor defende a segurança do povo, ele deve ser elogiado.” Como presidente, teve papel decisivo na repressão sangrenta aos protestos que eclodem repetidamente em todo o país, por último em setembro de 2022, em torno da jovem Mahsa Amini, morta pela polícia da moral iraniana.

Shadi Amin reforça: “Raisi se engajou pela imposição de leis misóginas, como o hijab obrigatório, e pela repressão das mulheres. Ele foi uma figura importante para o sistema político do Irã e suas metas.” A autora ressalva que na República Islâmica o líder religioso tem a última palavra, ditando e determinando praticamente tudo.

“Nesse sistema foram educados, nos últimos anos, suficientes indivíduos como Raisi, dispostos a investir com dureza e brutalidade contra a população civil. Eu só lamento as manifestações de pêsames de políticos dos países ocidentais, da União Europeia e de organizações para um assassino em massa como ele. É uma grande decepção para as iranianas e população civil.”

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