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quinta-feira 5 de agosto de 2021 às 14:06h

“Governo e FCA, deixem a Bahia crescer”, pede diretor-executivo da Usuport

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A oitava edição do “Vamos Debater?” foi realizada na última quinta-feira (29) e contou com a participação de especialistas que discutiram a falta de ligação entre a Ferrovia Centro Atlântica (FCA/VLI) e os portos baianos. O presidente do Crea-BA, engenheiro Joseval Carqueija, destacou a importância da FCA/VLI na facilitação do escoamento da produção do estado. “O assunto é de grande interesse. Esta ferrovia pode ligar os estados do Nordeste trazendo riqueza e trabalho para o estado da Bahia”, afirmou o gestor.

O presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Antonio Carlos Tramm falou sobre a falta da ferrovia para alimentar os portos. “A CBPM está nesse assunto porque para o desenvolvimento da Bahia e do setor minerário é essencial que a gente tenha trem. Como atender ao navio sem levar a carga para o porto?”, disse. Tramm ressaltou ainda que a CBPM tem acionado a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) desde o anúncio de uma possível renovação de outorga. “Enviamos 7 correspondências à ANTT pedindo informações sobre quais foram os investimentos realizados pela VLI nos trechos baianos da FCA e nunca tivemos respostas. Agora acionamos também a Ouvidoria Geral da União e estamos aguardando esses esclarecimentos”, explica.

O economista Bernardo Figueiredo apresentou uma visão de futuro para a FCA/VLI, lembrando que a ferrovia não ocupa o território todo e que expandir esse modal trata-se de uma grande oportunidade para o Nordeste. “É preciso remodelar a linha e interligar a Bahia à região Nordeste e ao resto do país, além de conectar também a Bahia com todo sistema moderno de ferrovias que está sendo construído. A lógica econômica forte é que vai atrair investidores”, comenta.

Luiz Baldez, presidente da Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga (ANUT), defendeu que a Bahia precisa tomar uma decisão política. “A VLI já deixou claro que a estratégia dela é cuidar do corredor sudeste da FCA, tendo alocado 96% dos seus investimentos nesses trechos. Dos mais de 7.000km sob a sua concessão ela só quer tratar de 1.500km. Não imaginem que o governo de modo próprio vá fazer essa mudança de estratégia para renovação da FCA. Se não houver um apoio político, um ambiente político, isso não vai acontecer”, afirma.

Paulo Vila, diretor-executivo da Usuport – Associação dos Usuários de Portos da Bahia – fez um apelo para que o usuário seja ouvido em todo o processo. “O posicionamento da Usuport quanto à renovação da concessão da FCA/VLI é para excluir o corredor Minas-Bahia do contrato. Governo e FCA, deixem a Bahia crescer. A Bahia precisa ser desenvolvida de uma forma forte, não podemos continuar estagnados sem ferrovias e com poucas rodovias. Todos devem ter a consciência da participação do usuário, que precisa ser ouvido, porque é ele quem paga o serviço”, desabafa.

O diretor-presidente da Mineração Caraíba, Manoel Valério, destacou a expansão da produção da empresa e a necessidade de projeto que abranja toda produção. “A culpa de como as coisas estão é nossa, de toda sociedade. Temos que aprender com isso e exigir um acompanhamento dos investimentos realizados na ferrovia a partir de agora. Para novos trechos e para que apareçam projetos, precisamos de investimentos. Porque o retorno vem. Disponibilidade e potencial já existem”, garantiu Valério, que reafirmou a sua vontade de voltar a transportar o minério da Caraíba através da FCA/VLI.

O presidente do Sinduscon, Carlos Marden, falou sobre “o despropósito, o retrocesso provocado pela prorrogação da concessão da FCA”. “Chamo a atenção da bancada baiana e da federação das indústrias para bradar em relação a isso. Não podemos passar o dissabor, a vergonha que é termos uma ferrovia com trens que trafegam a uma velocidade média de 11km/h. Enquanto outras ferrovias da própria Vale operam a mais de 80km/h”, afirma.

Carlos Neiva, gestor da Agência de Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Pecuária de Juazeiro, afirmou que o que existe hoje é uma aberração. “Juazeiro está no centro geométrico do Nordeste com enorme potencial de ser um centro de distribuição e padeceu fortemente com o desmonte do modal ferroviário. A Bahia é a maior produtora de frutas do Brasil. 97% da uva e 92% da manga que é exportada no país saem daqui do Vale do São Francisco. Imaginem o que seria para nossa economia levarmos esses produtos para o Porto de Aratu ao invés de para portos de outros estados”, explica Neiva, destacando que a FCA/VLI passa por 20 municípios baianos.

Transmitido pelo canal do YouTube do Crea-BA, o evento está disponível também no canal do YouTube da CBPM, que produziu uma versão editada, na qual destacou os depoimentos mais marcantes do debate. Conduzida pelo engenheiro civil Maurício Mayer, a live contou ainda com a participação do presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), Carlos Autran; e do engenheiro civil Danilo Ferreira.

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