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sexta-feira 12 de abril de 2024 às 06:57h

Formados e desempregados: os jovens eleitores revoltados da Índia

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Em um centro de busca de empregos na periferia de Mumbai, a capital financeira da Índia, Mahesh Bhopale sonha com um trabalho no governo com um bom salário, como milhões de jovens formados e desempregados no país.

Esta é uma realidade incontornável para os políticos do país de maior população do mundo antes das eleições que começam em 19 de abril: uma das economias de crescimento mais rápido do planeta não tem vagas de empregos qualificados em número suficiente para os seus jovens com boa formação.

“A única forma de sair desta vida é conseguir um emprego no governo e obter bons benefícios”, disse Bhopale, 27 anos, formado em Biologia. “Isto nos ajudará a casar e começar uma família.

Até o momento, ele trabalhou em empregos de meio período, como ajudante de alfaiate ou segurança, enquanto se prepara para os concursos muito disputados do funcionalismo público.

Bhopale trocou a área rural pela cidade grande e não tem contatos para avançar no setor privado.

“Pessoas formadas nos vilarejos, como nós, não conseguem empregos bem remunerados no setor privado”, lamenta.

Ele não é um caso único. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) calcula que 29% dos jovens que se formaram nas universidades da Índia estavam desempregados em 2022.

O percentual é quase nove vezes maior que para aqueles sem diploma, que normalmente encontram empregos mal remunerados no setor de serviços ou na construção civil.

Expansão demográfica

Mais da metade dos 1,4 bilhão de habitantes da Índia têm menos de 30 anos, segundo os dados do governo.

“Os empregos não aumentam de forma tão rápida quanto a expansão demográfica da potencial força de trabalho”, afirma o economista R. Ramakumar, do Instituto Tata de Ciências Sociais de Mumbai.

“Esta é uma das razões pelas quais vemos um grande número de candidatos para um pequeno número de cargos públicos”, disse.

Também explica a “urgência das pessoas para sair da Índia através de canais ilegais”, em busca de empregos nos Estados Unidos ou no Canadá, acrescentou.

O primeiro-ministro Narendra Modi, favorito para obter um terceiro mandato nas próximas eleições, reivindica o sucesso de seu governo ao convencer gigantes do setor de tecnologia, como Apple ou Dell a estabelecer presença na Índia.

Mas os críticos afirmam que isto não levou à criação dos milhões de empregos industriais que a população exige.

O Banco Mundial alertou este mês que a Índia, assim como outros países do sul da Ásia, “não está criando empregos suficientes para acompanhar o rápido crescimento de sua população em idade de trabalho”.

Muitos jovens indianos afirmam que têm apenas uma opção; entrar na disputa intensa por um posto de trabalho no governo, com bom salário, benefícios e estabilidade.

A empresa estatal de ferrovias Indian Railways, por exemplo, recebe milhões de currículos para centenas de milhares de empregos de nível médio ou que não exigem escolaridade.

Ganesh Gore, 34 anos, disse que tentou os concursos públicos, sem sucesso, cinco vezes.

“Nenhum partido ou político nos ajuda”, lamenta. “Estão sentados comendo dinheiro”.

Alguns tentam opções mais arriscadas. No início do ano, milhares de pessoas se candidataram a vagas de trabalho em Israel, após a escassez de mão de obra provocada pela guerra em Gaza.

 “Milionários e bilionários”

A Índia superou o Reino Unido em 2022 e se tornou a quinta maior economia do mundo. No último trimestre de 2023, o PIB do país cresceu robustos 8,4%, impulsionado pelo setor industrial.

Mas a frustração de muitos jovens é cada vez maior devido à falta de oportunidades. Em dezembro, manifestantes, indignados com as elevadas taxas de desemprego entre sua faixa etária, lançaram latas de fumaça contra o Parlamento e gritaram frases contra o governo.

A filha de Saraswati Devi, Neelam, foi detida após o protesto.

“Ela é altamente qualificada, mas não encontra trabalho. Ela afirmava com frequência que ‘deveria simplesmente morrer porque, apesar de ter estudado tanto, não consigo pagar por duas refeições’”, disse Saraswati à imprensa local.

Mas não está claro se a raiva dos jovens com o desemprego resultará em um castigo eleitoral para o partido de Modi.

Uma pesquisa realizada em março entre estudantes de Nova Délhi mostrou que apenas 30% culpam o governo pelo alto índice de desemprego, informou o Lokniti-CSDS Research Centre.

Ainda magoado com o último resultado do concurso, Gore culpa os magnatas do país que, para ele, manipulam os políticos e se aproveitam do crescimento nacional sem apoiar o restante da população.

“O país é governado por um punhado de milionários e bilionários”, disse Gore. “Os políticos não têm muita influência”.

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