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sábado 10 de fevereiro de 2024 às 15:25h

Essequibo: Guiana em alerta após movimentação de militares venezuelanos na fronteira

MUNDO, NOTÍCIAS


Imagens de satélite publicadas por um centro de pesquisa americano mostram expansão de base do Exército na fronteira com o Essequibo, após acordo em que Venezuela aceitava resolver disputa territorial pelo diálogo.A Guiana se disse preocupada com a movimentação de tropas e armas venezuelanas próximo à região do Essequibo, área rica em recursos naturais reclamada pelo regime de Caracas, após imagens de satélite publicadas nesta sexta-feira (09/02) por um centro de pesquisa dos Estados Unidos revelarem a movimentação das tropas do presidente Nicolás Maduro na fronteira.

Ainda segundo o relatório, publicado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) em Washington, a Venezuela está expandindo uma base militar na região, contrariando acordo firmado em dezembro do ano passado em que se comprometia a resolver a disputa territorial pelo diálogo, em vez da força.

O acordo havia sido firmado poucos dias após Caracas aprovar a anexação do Essequibo – que corresponde a mais de dois terços do território da Guiana – em um controverso referendo popular, realizado após a emissão, pela Guiana, de licenças à iniciativa privada para a exploração de petróleo na costa da região.

Desde então, as tensões na região vinham sendo atenuadas.

“No mesmo dia em que o ministro das Relações Exteriores venezuelano se encontra com diplomatas guianenses, o Exército venezuelano realiza exercícios com tanques a poucos metros de distância da Guiana. Tudo isso nos diz que Maduro está perseguindo uma política dúbia”, afirma o diretor interino do programa para as Américas do CSIS, Christopher Hernandez-Roy, referindo-se a uma reunião realizada no dia 25 de janeiro entre as duas partes em Brasília, sob a mediação do ministro do Itamaraty, Mauro Vieira.

Nas imagens de satélite do relatório do CSIS, é possível ver clareiras abertas na mata da ilha de Anacoco – que pertenceu à Guiana de 1899 até 1966, quando foi tomada pela Venezuela, e que é separada do Essequibo por um rio –, além de material de construção, armazéns e embarcações.

Ainda segundo o instituto, vídeos compartilhados por autoridades e militares venezuelanos entre 24 e 25 de janeiro mostram um exercício em Anacoco, bem como a presença de arsenais militares como blindados e aeronaves.

No início deste mês, o Exército brasileiro enviou 28 blindados a Roraima para reforçar a segurança na fronteira com Venezuela e Guiana. Dois dias depois, um enviado americano anunciou em visita à Guiana o estreitamento de cooperações bilaterais na área de defesa para preservar as fronteiras do país.

Disputa antiga

A disputa pelo Essequibo vem desde o século 19, mas se intensificou a partir de 2015, com a descoberta de grandes reservas de petróleo na costa da região pela americana ExxonMobil – equivalente, segundo estimativas, a cerca de 75% da reserva brasileira de petróleo. Na última terça, a empresa anunciou a perfuração de dois poços nas águas do Essequibo.

Temendo uma ação militar de Caracas, Georgetown acionou no final do ano passado a Corte Internacional de Justiça (ICJ), em Haia. O mais alto tribunal das Nações Unidas deve levar vários anos analisando o caso até decidir a quem pertence o território, mas determinou liminarmente a Caracas que se abstenha de interferir no atual status do Essequibo até lá.

Maduro, porém, não reconhece a autoridade do ICJ para arbitrar a disputa e quer negociar diretamente com a Guiana. Alguns analistas veem na movimentação uma estratégia do presidente venezuelano para mobilizar seu eleitorado, enquanto outros apontam que isso pode ser também uma tentativa de pressionar a Guiana a partilhar os ganhos com a exploração do petróleo.

Ao comentar o relatório do think tank americano em entrevista à agência de notícias AFP, o ministro das Relações Exteriores da Guiana, Hugh Todd, disse que a movimentação militar de Caracas na fronteira é uma tentativa de forçar a Guiana a abandonar o julgamento sobre o Essequibo na ICJ e “aceitar a abordagem preferida pela Venezuela de negociações bilaterais”.

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