
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial foi atribuída a três falhas estratégicas pelo cientista político Pedro Costa, em entrevista ao programa 'VEJA em Foco', apresentado por Livia Raick. Na avaliação do especialista, a campanha não conseguiu administrar a vantagem conquistada no primeiro turno e cometeu erros na reta final da disputa.
Flávio terminou a primeira etapa da eleição à frente de Lula, mas o presidente reverteu o resultado e venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador. A diferença final foi de 4.430.191 votos, segundo os dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O primeiro erro apontado por Costa foi a própria escolha de Flávio para representar o bolsonarismo na disputa presidencial. O cientista político argumentou que o senador tinha vulnerabilidades políticas que poderiam ser exploradas pelos adversários. Entre elas, mencionou questionamentos sobre suas relações políticas no Rio de Janeiro e suspeitas envolvendo milícias, ressalvas que devem ser entendidas como parte da análise do especialista, e não como comprovação de irregularidades.
O segundo fator foi o que Costa chamou de “síndrome da cadeira vazia”, expressão usada para descrever uma campanha que se comporta como se a vitória já estivesse garantida. Segundo ele, discussões antecipadas sobre a formação de um eventual ministério transmitiram excesso de confiança antes da votação decisiva.
Entre os nomes citados nas especulações sobre a futura equipe estavam Daniela Marques para o Ministério da Fazenda, Eduardo Bolsonaro para as Relações Exteriores e Pablo Marçal para uma possível pasta da Prosperidade. Para o especialista, esse tipo de articulação contribuiu para uma percepção de confiança excessiva na vitória.
O terceiro erro, segundo Costa, foi a estratégia adotada nos debates da Band e da Globo. Na avaliação dele, Flávio começou com uma postura agressiva, inspirada no estilo de Donald Trump, quando poderia ter optado por uma abordagem mais cautelosa para preservar sua posição eleitoral.
O cientista político também destacou a mudança de tom no último confronto, quando o senador adotou uma postura mais conciliadora e pediu desculpas em diferentes momentos, inclusive pelo uso da expressão “nove dedos” ao se referir a Lula. Para Costa, a oscilação entre os estilos prejudicou a consistência da imagem do candidato.
As três avaliações integram a análise do especialista sobre a campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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