
Lideranças do Partido Liberal (PL) e aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) articulam uma tentativa de convencê-lo a reconhecer a vitória de Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial. Segundo relatos de bastidores publicados pela imprensa, integrantes da sigla consideraram inadequada a decisão do senador de contestar o resultado das urnas e anunciar que pedirá a anulação da eleição.
A expectativa de parte dos dirigentes era que Flávio adotasse um tom mais moderado, reconhecendo o resultado enquanto defendia a apuração de eventuais irregularidades relacionadas à ampliação do horário de votação. O senador, porém, afirmou que não aceitará o desfecho e que recorrerá à Justiça.
A movimentação também envolve o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto. De acordo com os relatos de bastidores, aliados do dirigente afirmam que ele não pretende assumir a liderança de uma nova iniciativa para contestar o resultado eleitoral.
Em 2022, o PL pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma verificação extraordinária de urnas utilizadas no segundo turno. A solicitação foi rejeitada por falta de elementos que justificassem a medida, e o partido recebeu multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé.
O resultado oficial divulgado pelo TSE registrou 64.256.232 votos para Lula, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, e 59.826.041 para Flávio, que obteve 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos.
A contestação anunciada pelo senador tem como argumento a decisão que ampliou o horário de votação até as 19h. A medida foi adotada após relatos de dificuldades de deslocamento de eleitores, e a campanha de Flávio também havia solicitado a extensão em localidades específicas.
A articulação dentro do PL busca definir como o partido reagirá à iniciativa do senador e evitar que a disputa sobre o resultado eleitoral amplie as divergências entre seus dirigentes.
Mín. 24° Máx. 28°