
A campanha do presidente Lula da Silva (PT) orientou aliados a abordar o voto em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como uma “escolha moral” junto ao eleitorado evangélico. Segundo Nicholas Shores, da Veja, um documento interno elaborado após o primeiro turno recomenda a mensagem de que “votar em Flávio pode ser pecado”.
A estratégia busca aproximar Lula de um segmento religioso no qual enfrenta dificuldades eleitorais. Levantamento da Quaest divulgado em 14 de outubro mostrou Flávio com 60% das intenções de voto entre evangélicos, contra 28% do petista. Entre os católicos, o cenário se inverte, com Lula registrando 49% e o senador, 43%.
No mesmo dia da divulgação da pesquisa, Lula publicou uma carta dirigida aos evangélicos. No texto, destacou medidas de seu governo, como ações relacionadas às apostas on-line, conhecidas como bets, e à redução da jornada de trabalho 6x1.
O presidente afirmou que o fim da escala 6x1 poderia garantir mais tempo para os fiéis participarem de atividades religiosas. Também pediu que as famílias evangélicas buscassem discernimento em oração antes de decidir o voto.
De acordo com a reportagem da Veja, a cartilha recomenda que aliados apresentem a mensagem como um argumento para reflexão, e não como uma ordem aos eleitores. O documento também alerta para a proibição de ameaças, promessas de castigo ou recompensa espiritual condicionadas ao voto e propaganda eleitoral dentro de templos religiosos.
A disputa pelo eleitorado evangélico ganhou relevância na reta final da eleição presidencial de 2026. Com a vantagem de Flávio nesse segmento apontada pela Quaest, a campanha petista tenta associar suas propostas sociais e trabalhistas a valores defendidos por parte das comunidades religiosas.
A estratégia evidencia o peso do voto religioso na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas o resultado dependerá da decisão individual dos eleitores nas urnas. Eles não são mais bobos e sabem quem 'peca'.
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