
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou oito acusações para sustentar o pedido de suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O documento aponta suposta disseminação coordenada de conteúdos negativos contra o senador, além de questionamentos sobre a origem dos recursos utilizados para impulsionar publicações e a exclusão de mensagens.
A controvérsia chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, determinar a suspensão do canal a pedido da campanha de Flávio. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o funcionamento do espaço e encaminhou o caso para análise do tribunal.
Entre os pontos levantados pela equipe de Flávio estão a suposta falta de registro do canal e de um perfil de apoio no Instagram, a republicação de conteúdos que teriam sido alvo de decisões anteriores do TSE e a orientação para que seguidores migrassem para páginas alternativas diante de eventuais bloqueios.
O documento também acusa o canal de estimular compartilhamentos em massa por meio de mensagens prontas, horários coordenados e instruções para distribuir conteúdos em grupos e contatos. A campanha afirma ter identificado 80 comandos associados a 775 mil encaminhamentos e aponta a exclusão de 480 mensagens, sendo 220 em um intervalo de 95 minutos.
Outro questionamento envolve o uso de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Segundo os números apresentados pela equipe do senador, Janones teria arrecadado R$ 3,02 milhões, dos quais R$ 3 milhões seriam provenientes do fundo eleitoral, com R$ 1,37 milhão destinado ao impulsionamento de conteúdo. A campanha sustenta que parte dessas publicações teria sido usada para atacar o adversário.
Janones nega disseminar notícias falsas e afirma que o canal foi criado para mobilizar e orientar eleitores de Lula no segundo turno. O caso ganhou novos desdobramentos quando a área técnica do TSE informou, em relatório divulgado em 12 de outubro, que não encontrou, no período analisado, reproduções das afirmações consideradas inverídicas que motivaram a ação. O relatório também registrou que mensagens haviam sido apagadas, circunstância que poderia limitar a análise.
Em 13 de outubro, a campanha de Lula registrou oficialmente o canal como instrumento de comunicação eleitoral, após determinação de Nunes Marques. A controvérsia segue sob análise da Justiça Eleitoral, e as acusações apresentadas pela campanha de Flávio ainda dependem de avaliação judicial. A apresentação do documento, por si só, não comprova a ocorrência das irregularidades alegadas.
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