
Integrantes do alto escalão do Itamaraty avaliam antecipar a aposentadoria diante da possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vencer o segundo turno da eleição presidencial. Segundo a Coluna do Estadão, a preocupação aumentou após declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que ameaçou promover uma “faxina” no Ministério das Relações Exteriores contra diplomatas que, segundo ele, teriam prejudicado o governo de Jair Bolsonaro.
De acordo com o jornal, servidores que atuam no Brasil e em embaixadas no exterior temem perder espaço em áreas como direitos humanos, meio ambiente, gênero e organismos multilaterais. Alguns diplomatas próximos da idade-limite de 75 anos consideram antecipar a saída da carreira caso ocorra uma mudança na orientação da política externa.
Entre os nomes citados está Vanessa Dolce de Faria, Alta Representante para Temas de Gênero do Itamaraty. Eduardo a criticou após ela publicar uma fotografia em apoio a Lula durante a campanha e sugeriu, em uma publicação nas redes sociais, que fosse enviada para uma missão diplomática no Zimbábue.
Outra diplomata mencionada é Maria Luiza Viotti, embaixadora brasileira em Washington. Ela foi alvo de críticas de Flávio e de aliados do ex-deputado após um episódio envolvendo a organização de uma entrevista coletiva durante uma visita do senador aos Estados Unidos.
Eduardo também criticou o embaixador Orlando Leite Ribeiro, indicado para chefiar a representação brasileira em Madri, por causa de um suposto auxílio consular à família de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. O ex-deputado afirmou que pretende rever a atuação de diplomatas que considera contrários ao governo de seu pai.
A apreensão relatada por diplomatas está relacionada à possibilidade de mudanças nas prioridades do Itamaraty em um eventual governo de Flávio. Em declarações públicas, Eduardo defendeu uma revisão da atuação do ministério e criticou servidores que, na avaliação dele, teriam atuado politicamente durante a gestão de Jair Bolsonaro.
A eventual vitória de Flávio, no entanto, ainda depende do resultado do segundo turno. As avaliações sobre aposentadorias antecipadas e mudanças na estrutura diplomática são relatos atribuídos a integrantes da carreira, e não representam um anúncio oficial do Ministério das Relações Exteriores.
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