
O primeiro turno das eleições de 2026 expôs diferenças relevantes entre pesquisas divulgadas nos últimos dias de campanha e o resultado das urnas. Na disputa presidencial, levantamentos de Datafolha, Quaest, Real Time Big Data, AtlasIntel e CNT mantinham Lula (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL), mas a apuração terminou com o senador na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente.
A diferença representou mais de 2,2 milhões de votos. Nas sondagens finais citadas no levantamento, a vantagem de Lula variava de 1 ponto, na Quaest, a 5,7 pontos, na CNT. O resultado oficial, portanto, não foi reproduzido por nenhuma das pesquisas presidenciais de véspera, embora os institutos tenham apontado crescimento de Flávio na reta final.
No Distrito Federal, a maior parte das pesquisas indicava possibilidade de vitória de Celina Leão (PP) no primeiro turno. A Datafolha, por exemplo, apontava 53% dos votos válidos para a governadora, contra 26% de Leandro Grass (PT). Nas urnas, Celina terminou com 49,93% e Grass com 34,4%, levando a disputa para o segundo turno. A governadora ficou a apenas 168 votos do percentual necessário para vencer na primeira etapa.
No Rio de Janeiro, os levantamentos também apresentaram diferença em relação ao resultado. Eduardo Paes (PSD) aparecia à frente de Douglas Ruas (PL) nas pesquisas finais, enquanto as urnas colocaram Ruas na primeira posição, com cerca de 49%, contra 42% de Paes, segundo os dados compilados pelo Metrópoles.
As disputas pelas cadeiras do Senado também registraram discrepâncias. No Rio de Janeiro, Carlos Portinho (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ) foram eleitos, com 26,77% e 24,56%, respectivamente. Benedita da Silva (PT-RJ), que aparecia entre os nomes mais competitivos nas pesquisas, terminou fora das duas vagas, com 20,22%.
Em São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP) e André do Prado (PL-SP) ficaram com as duas vagas, enquanto Simone Tebet (PSB-MS) e Marina Silva (Rede-SP) terminaram atrás. As pesquisas de véspera indicavam uma disputa mais equilibrada entre os quatro candidatos, cenário que não se confirmou na apuração.
No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis foram eleitas para o Senado com 29,05% e 27,44%, respectivamente. Leila do Vôlei ficou com 21,25%, e Erika Kokay, com 18,91%. Os levantamentos anteriores mostravam uma disputa mais próxima pela segunda vaga.
Diante das diferenças, representantes dos institutos argumentaram que pesquisas eleitorais são retratos de um determinado momento e não previsões do resultado. Lucas Thut Sahd, diretor-executivo do Real Time Big Data, afirmou que as sondagens captaram o crescimento de Flávio e atribuiu parte da diferença final ao voto útil e à migração de eleitores de candidaturas que perderam força na reta final.
Outro fator apontado por especialistas é a dificuldade de medir a intenção de voto para o Senado. O cientista político Elton Gomes afirmou que o menor interesse do eleitor pela eleição da Casa Alta, combinado com indecisos e decisões tomadas nos últimos dias, aumenta a dificuldade das projeções. O diretor da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, também relatou dificuldades para medir a segunda escolha dos eleitores, o que levou o instituto a suspender levantamentos para o Senado nos dias finais da campanha.
O primeiro turno deixa, assim, um alerta para a leitura das pesquisas eleitorais, especialmente em disputas com alto número de indecisos, voto útil e abstenção. Os levantamentos continuam sendo instrumentos para medir tendências, mas os resultados do último domingo (4) mostraram muitos erros.
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