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Primeiro turno teve maior abstenção eleitoral em 28 anos

TSE quer aumentar participação no segundo turno. Maior engajamento poderia ter peso para escolha presidencial mais acirrada desde a redemocratização.

05/10/2026 às 15h43 Atualizada em 05/10/2026 às 16h40
Por: Redação #Acesse Política
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No primeiro turno de 2026, 125 milhões de pessoas compareceram às urnas, contra 33 milhões que se ausentaram - Foto: Amanda Perobelli/Reuters Anúncio
No primeiro turno de 2026, 125 milhões de pessoas compareceram às urnas, contra 33 milhões que se ausentaram - Foto: Amanda Perobelli/Reuters Anúncio

O primeiro turno das eleições deste ano registrou abstenção de 21%. Foi o maior índice em quase 30 anos, desde 1998 (21,5%). Os eleitores faltosos no domingo (4) somaram 33,4 milhões ao redor do Brasil, contra outros 125 milhões que depositaram votos. 

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou que pretende trabalhar para diminuir a abstenção no segundo turno. "Não é o ideal uma abstenção de 20%," disse o magistrado.

O percentual de abstenções nas eleições gerais vem crescendo desde 2006, quando bateu os 16,8%, e se mantém próximo dos 20% desde 2014. Em 2022, o número de eleitores aptos a votar, porém ausentes, foi de 32,7 milhões no primeiro turno (20,9%). O índice praticamente não mudou para o segundo turno (20,5%). 

Peso para escolha presidencial

O primeiro turno deste ano também registrou 2,2 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de nulos. Na eleição presidencial, um a cada quatro eleitores não compareceram ou não deram o voto a um dos candidatos.

Neste ano, um eventual aumento do comparecimento ou dos votos válidos no segundo turno poderia pesar para a escolha do próximo presidente. 

Os candidatos Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentarão em três semanas, depois de terem protagonizado o primeiro turno mais acirrado desde a redemocratização, com diferença de apenas dois pontos percentuais entre eles.

Constelação de fatores

A abstenção tende a ser mais alta entre as faixas da população menos escolarizadas, analfabetos – em 2022, metade deles não compareceram às urnas – e idosos. 

De acordo com Nunes Marques, entre os grupos para os quais o voto é facultativo, a abstenção deste ano chegou a cerca de 50% entre os maiores de 70 anos, em comparação a 20% entre os jovens de 16 e 17 anos.

Especialistas apontam, entretanto, diversos fatores que podem gerar mais faltas entre parte dos eleitores. Entre eles, incluem-se a baixa confiança nas instituições democráticas, reduzido interesse pelos processos eleitorais ou, no contexto atual, uma apontada fadiga com a repetição da disputa entre lulismo e bolsonarismo.

Tradicionalmente, é também significativamente mais alta a abstenção do eleitorado no exterior. Na Alemanha, por exemplo, compareceram 46,5% dos 41.552 eleitores aptos a votar no domingo.

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