
A nova composição do Senado, definida nas eleições deste domingo (4), deve alterar as negociações para a escolha do próximo presidente da Casa, em fevereiro de 2027. Das 54 cadeiras em disputa, 40 serão ocupadas por novos senadores, enquanto apenas 14 dos atuais titulares que buscaram a reeleição conseguiram permanecer.
O resultado também ampliou a bancada do PL, que elegeu 19 senadores e chegará a 28 representantes em 2027, a maior bancada da Casa. O partido conquistou as duas vagas em cinco estados, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.
A nova correlação de forças coloca a sucessão de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no centro das articulações para o comando do Senado. O atual presidente já manifestou interesse em permanecer no cargo, mas a composição que assumirá em fevereiro terá perfil partidário diferente da atual.
Outro ponto que ganhou peso após a eleição é a posição dos novos senadores sobre processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Levantamentos publicados após a votação apontam que pelo menos 49 integrantes da futura composição já manifestaram apoio à abertura de processos dessa natureza, número próximo do quórum necessário para determinadas etapas do procedimento.
A questão pode influenciar as negociações para a sucessão da Presidência do Senado, especialmente porque Alcolumbre tem adotado uma postura de não dar andamento a pedidos de impeachment contra ministros do STF. A futura composição, porém, ainda dependerá das alianças entre partidos e das posições individuais de cada senador.
Entre os nomes citados nas articulações para a Presidência do Senado estão Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). A definição será feita pelos próprios senadores após a posse da nova legislatura.
Outro tema que envolve diretamente Alcolumbre é a PEC 221/2019, que trata do fim da escala de trabalho 6x1 e da redução da jornada semanal. O presidente do Senado marcou a análise da proposta em Plenário para terça-feira (6), dois dias após o primeiro turno das eleições.
A proposta já havia sido encaminhada por Alcolumbre à Comissão de Constituição e Justiça e fazia parte das prioridades anunciadas para a pauta do Senado. O texto aprovado pela Câmara prevê redução da jornada máxima para 40 horas semanais.
Com a posse dos novos senadores prevista para 1º de fevereiro de 2027, a disputa pela Presidência da Casa deve abrir uma nova rodada de negociações sobre bancadas, blocos e pautas prioritárias. Diante da mudança na composição do Senado, o cenário impõe a Alcolumbre a necessidade de ampliar articulações e rever estratégias para tentar permanecer no comando da Casa. Entre aliados e adversários, a avaliação é uma só: o atual presidente terá um novo e mais difícil ambiente político pela frente.
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