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Eleitor chega às urnas em meio à polarização e à crise de confiança na política

Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro encerra uma campanha marcada pelo protagonismo do Judiciário, poucos debates e espaço reduzido para alternativas

04/10/2026 às 07h45 Atualizada em 04/10/2026 às 12h55
Por: Redação #Acesse Política
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Mais de 158 milhões de brasileiros vão às urnas neste domingo (4) em uma eleição presidencial marcada pela forte polarização, pela concentração do voto em dois candidatos e por uma sequência de crises políticas e judiciais. A disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega ao primeiro turno sem uma definição antecipada, segundo as pesquisas divulgadas na véspera.

O Datafolha divulgado no sábado (3) apontou Lula com 45% dos votos válidos, contra 42% de Flávio, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Ronaldo Caiado aparece com 4%, enquanto Renan Santos e Augusto Cury têm 3% cada, e Romeu Zema registra 1%.

O cenário contrasta com eleições anteriores, nas quais candidatos de diferentes correntes ideológicas conseguiram ocupar espaço relevante no debate nacional. Em 2026, a reta final foi dominada pela disputa entre os dois principais polos, enquanto as demais candidaturas perderam espaço nas pesquisas.

Uma campanha marcada pelo confronto

A eleição também foi atravessada pelo debate sobre o papel das instituições. O último debate presidencial previsto pela TV Globo acabou cancelado depois que Lula e Flávio decidiram não participar. A emissora alegou insegurança jurídica após decisões judiciais que alteraram as regras do encontro.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a inclusão de Renan Santos no debate, depois de decisões anteriores da Justiça Eleitoral sobre a participação do candidato. Horas depois, Flávio anunciou que não compareceria, e Lula já havia informado previamente que também estaria ausente.

O episódio recolocou no centro da campanha a discussão sobre os limites da atuação do Judiciário no processo eleitoral. A decisão de Mendes, porém, foi apenas uma das intervenções judiciais que marcaram a organização do debate final.

Da disputa de 2014 à polarização atual

A escalada da tensão política brasileira não começou em 2026. Em 2014, a contestação do resultado da eleição presidencial e o pedido de auditoria das urnas eletrônicas pelo então candidato Aécio Neves (PSDB-MG) abriram uma nova etapa de desconfiança entre os grupos políticos.

Nos anos seguintes, a crise política se aprofundou com o impeachment de Dilma Rousseff, a prisão e posterior reabilitação eleitoral de Lula, a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e a disputa extremamente acirrada entre Bolsonaro e Lula em 2022.

O processo culminou nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, episódio que passou a ocupar espaço central nas discussões sobre democracia, instituições e responsabilização política.

Eleitor cobra propostas e respostas para problemas cotidianos

Em meio à disputa nacional, uma parcela significativa do eleitorado chega às urnas preocupada com questões mais concretas, como custo de vida, emprego, impostos, segurança pública, transporte e endividamento.

O debate econômico, contudo, teve espaço menor do que temas políticos e institucionais durante a campanha. Levantamento publicado pela Folha mostra que os principais candidatos convergem sobre a necessidade de enfrentar o crescimento da dívida pública, mas apresentam diferenças sobre o tamanho do ajuste e sobre as medidas necessárias.

A eleição também foi marcada pela cobrança por programas de governo mais detalhados. Em vez de apresentar somente compromissos gerais, o eleitorado é chamado a comparar propostas capazes de responder a problemas que afetam diretamente a rotina de milhões de brasileiros.

Democracia passa novamente pelo teste das urnas

O primeiro turno deste domingo representa mais uma etapa de uma democracia que, desde a redemocratização, passou por impeachment presidencial, crises econômicas, mudanças de governo, investigações de corrupção, disputas institucionais e episódios de ruptura política.

Agora, 158,7 milhões de eleitores estão aptos a votar. A Justiça Eleitoral informa que a votação ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, e os resultados começarão a ser divulgados após o encerramento das urnas.

Mais do que escolher presidente, governadores, senadores e deputados, o eleitor brasileiro definirá neste domingo a composição política do país para os próximos anos. O resultado também mostrará o tamanho real da polarização e o espaço que permanecerá aberto para novas forças na política nacional.

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