
A eleição para a Câmara dos Deputados ganhou prioridade nas estratégias de diversos partidos nas Eleições 2026. Além de definir a composição do Congresso, o resultado da disputa proporcional influencia o acesso das legendas aos recursos públicos e o cumprimento da cláusula de desempenho.
O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) tem R$ 4,96 bilhões disponíveis neste ano. Pela regra de distribuição, 35% dos recursos são calculados conforme os votos obtidos pelos partidos na eleição anterior para a Câmara, 48% de acordo com o número de deputados eleitos e 15% conforme a representação no Senado.
A votação para deputado federal também é decisiva para a chamada cláusula de desempenho, que estabelece critérios mínimos para que os partidos tenham acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão.
Em 2026, uma das formas de cumprimento da regra exige que a legenda obtenha 2,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em pelo menos nove estados, com mínimo de 1,5% em cada um deles, ou eleja ao menos 13 deputados federais distribuídos em pelo menos nove unidades da Federação.
A regra faz com que partidos com menor representação concentrem esforços e recursos na formação de chapas competitivas para a Câmara.
Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, algumas legendas aumentaram a parcela dos recursos destinada às candidaturas proporcionais. O PDT, que em 2022 lançou Ciro Gomes à Presidência, reservou neste ano metade do fundo para candidaturas a deputado, com prioridade para a Câmara.
O União Brasil também ampliou de 65% para 80% a fatia destinada às candidaturas proporcionais. O Cidadania passou a estabelecer pelo menos 70% dos recursos para essas disputas, com prioridade aos candidatos a deputado federal.
No MDB, que não lançou candidato próprio à Presidência, cerca de R$ 170 milhões dos aproximadamente R$ 400 milhões recebidos foram destinados às candidaturas à Câmara e às Assembleias, com prioridade para os deputados federais. O PSB estabeleceu a disputa por deputados federais e senadores como prioridade estratégica.
Especialistas ouvidos pela Folha apontam que o aumento do poder orçamentário do Congresso também contribuiu para elevar a importância da eleição para deputado federal.
A expansão das emendas parlamentares de execução obrigatória, a partir de 2015, ampliou a capacidade dos deputados de direcionar recursos para suas bases eleitorais. O modelo reduziu a dependência dos parlamentares em relação ao Executivo para a liberação de determinadas verbas.
O cientista político Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná, relaciona esse processo ao crescimento do poder do Congresso sobre o Orçamento. Outros especialistas citados pelo jornal apontam que a mudança alterou a estratégia das legendas na distribuição dos recursos de campanha.
Dentro das chapas proporcionais, os partidos também têm priorizado candidatos que já ocupam mandato. MDB, PP, PDT, PSB, PV, PSOL e Cidadania incluem a reeleição entre os critérios utilizados para distribuição de recursos.
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