O ex-presidente da China Jiang Zemin morreu nesta quarta-feira aos 96 anos, informou o Partido Comunista. Ele liderou os esforços para governar o país mais populoso do mundo após o Massacre da Praça da Paz Celestial, guiando os chineses por uma década de estabilidade, crescimento econômico meteórico e fortalecimento do regime.
Uma carta assinada pelo PC, além do Parlamento, do Gabinete e das Forças Armadas, informa que o ex-presidente morreu às 12h13 (1h13, hora do Brasil) em Xangai de leucemia e falência múltipla dos órgãos. Ela descreve o “nosso querido camarada Jiang Zemin” como um líder ímpar de muito prestígio, grande marxista, estadista e estrategista militar.
“A morte do camarada Jiang Zemin é uma perda incalculável para o nossos partido, nossas Forças Armadas e para as pessoas de todos os grupos étnicos”, diz o texto, afirmando que o anúncio vem acompanhado de “luto profundo”.
Presidente de 1993 a 2003, Jiang tornou-se secretário-geral do Partido Comunista em 1989, ascendendo da relativa obscuridade como chefe do PC em Xangai. Nascido em Yanzhou, na província de Jiangsu, no Leste chinês, o engenheiro eletricista fluente em inglês tinha o perfil tecnocrata favorecido pelo então presidente Deng Xiaoping e seus aliados para dar continuidade às reformas econômicas e à abertura do mercado.
Deng e outras figuras-chave do país decidiram driblar as regras para substituir o então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, que resistia à ideia de autorizar o uso das Forças Armadas contra os estudantes que protestavam na Praça da Paz Celestial. A repressão brutal ao grupo, no início de junho daquele ano, foi um dos episódios mais marcantes da História recente chinesa.
Para substitui-lo, olharam para Xangai, onde Jiang havia controlado os protestos sem que fosse derramado sangue. Segundo Li Peng, então primeiro-ministro, Deng havia descrito o futuro secretário-geral e presidente como alguém com “ideias e capacidade, mas também carisma”. O contexto de sua chegada, associado à situação sociopolítica do país fez com que muitos acreditassem que Jiang não duraria muito no comando do PC.
— Eu não tinha nenhuma intenção de comandar o país inteiro — admitiu ele mesmo uma entrevista ao canal americano CBS em 2020. — Esperava que um candidato mais capacitado assumisse a tarefa.
Nascido em 1926 como filho de um contador em uma firma de energia elétrica, que depois se tornaria gerente de uma empresa de balsas, e de uma mulher que vinha de uma família de fazendeiros, cresceu em um ambiente político. Dois de seus tios foram ativistas comunistas antes da Revolução Chinesa de 1949, e um deles chegou a ser assassinado dez anos antes do movimento provar-se bem-sucedido.