O Palácio Thomé de Souza deverá ser apenas saudades para a prefeitura de Salvador. Isso porque o local deve deixar de hospedar nos próximos dias. A mudança deve-se segundo Gabriela Araújo, do A Tarde, a um risco de demolição do espaço devido a uma ação judicial que tramita há mais de 20 anos na Justiça Federal.
O caso começou a ser discutido em 2000 pelo Ministério Público Federal (MPF), sob alegação de que a estrutura não segue as restrições arquitetônicas e culturais da região.
Com isso, a Secretaria de Governo (Segov), comandada pelo ex-deputado federal Cacá Leão (PP), publicou na última sexta-feira (22) uma inexigibilidade de licitação ainda de acordo com o jornal, autorizando a locação do Edifício Palácio Arquiepiscopal para o funcionamento do Executivo.
A novidade consta no Diário Oficial do Município (DOM). O documento define os espaços em que a gestão será instalada, ficando restrita ao térreo, subsolo, 1° e 2° pavimento. O equipamento funciona na Praça da Sé, também no Centro Histórico da capital.
Palácio Arquiepiscopal
O espaço passou por uma grande reforma e foi entregue totalmente requalificado no ano de 2019. O local foi considerado por muito tempo morada de bispos, arcebispos e Centro Administrativo e pastoral da Igreja Católica no Brasil.
O Palácio Arquiepiscopal de Salvador, foi construído no início do século XVIII. A história do atual paço dos arcebispos começa exatamente em 1705, quando uma carta régia autoriza a construção de uma residência para os arcebispos no Terreiro de Jesus, perto da Igreja Jesuíta de Salvador. Em 1707, decide-se pelo uso de outro terreno, ao lado da antiga Sé da cidade, onde se encontrava uma ermida da Irmandade de São Pedro dos Clérigos. As obras logo tem início e são concluídas em 1715.
O palácio tem fachada principal com três pavimentos e uma entrada marcada por um monumental portal em pedra de Lioz e decorado com um brasão ladeado por volutas. O brasão é o de D. Sebastião Monteiro da Vide, arcebispo de Salvador (1701-1722) à época da construção do edifício. As janelas dos dois primeiros pisos são de peitoril e o pavimento nobre, o mais alto, tem janelas com balcões e gradis de ferro. O interior está organizado ao redor de um pátio central.
Assista ao vídeo abaixo: A história de uma cidade pode ser contada por mapas, gravuras, desenhos, fotos, livros e documentos históricos. A história está também nas ruas, nas construções, nos monumentos… O Centro Cultura Palácio da Sé Dom Sebastião Monteiro da Vide, conta “A História da Igreja Católica no Brasil”:
Antigamente havia um passadiço que ligava o palácio à antiga Sé, demolida em 1933. Atualmente o espaço da igreja demolida, ao lado do palácio, é ocupado por uma praça. O palácio foi tombado pelo IPHAN em 1938.
Em 2002,a administração da Arquidiocese foi transferida do lugar para a de São Salvador da Bahia.
Em estado de abandono o IPHAN irá bancar uma reforma estrutural no espaço que prevê, dentre outras intervenções, a restauração completa do prédio, da fundação às esquadrias e gradis, além de serem instalados laboratórios de restauração de documentos, junto com um espaço para pesquisas.